Como na pandemia, prefeito de Porto Alegre não descarta fechar serviços não essenciais
Sebastião Melo (MDB-RS) afirma que vêm discutindo a possibilidade e conversando com setores produtivos; caso decida pela proibição, o prefeito garante que vai comunicar os comerciantes afetados

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB-RS), afirmou que não descarta proibir o funcionamento de serviços não essenciais na capital gaúcha. Segundo o chefe do executivo municipal, ele já conversou alguns setores, mas ainda não há uma decisão definida. A medida seria semelhante a tomada durante a pandemia da Covid-19, em 2020.
"Tem serviços que você tem que estimular que fiquem abertos, por exemplo, o abastecimento da cidade com os supermercados. Eu compreendo que as empresas privadas tenham o seu funcionamento, por mais que eu tenha apelado. Vejo que tem dificuldade delas tomarem essa decisão sem uma decisão mais dura do poder público. Poderemos chegar a essa situação (de proibir serviços não essenciais). Essa avaliação está na mesa. A gente está analisando", revelou.
Prefeitura multa quem descumprir racionamento de água
Porto Alegre vive um desabastecimento de água, desde que quase todas as estações de tratamento tiveram as operações suspensas. Melo afirma que Porto Alegre chegou a ter apenas uma estação em funcionamento.
Nesta segunda (6), Melo decretou o racionamento de água na capital gaúcha nesta segunda-feira (6). O texto determina que a água distribuída pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE) seja “exclusivamente, para abastecimento e consumo essencial”.
A norma determina que atividades, como “lavagens automotivas, lavagem de calçadas e fachadas, rega de jardins e gramados, salões de beleza, clínicas estéticas, academias, banho e tosa de animais devem ser evitadas de modo a preservar a água disponível para o consumo essencial”.
Melo diz que não é seu estilo de governo multar as pessoas, mas que a situação da cidade exige que ela seja mais rígido com quem descumprir a regra.
“Tive que baixar um decreto de manhã indicando que as pessoas tenham um consumo muito responsável, necessário. Botei toda fiscalização na rua, em todos os postos de gasolina. Eu passei em uma das localidades e vi um posto lavando um carro. Não é possível que com todo esse apelo que estamos fazendo tem alguém lavando um carro, em toda uma crise dessa. Pedi para que [a fiscalização] fosse orientativa, mas se insistisse, eu mandei fechar”, afirmou.
Temporal no RS
As regiões mais afetadas pelas chuvas no RS são: Central, Vale do Rio Pardo, Metropolitana, Serra Gaúcha e Vale do Taquari. Quase 1 milhão de pessoas estão sem água e 424 mil sem luz.
O Rio Grande do Sul decretou estado de calamidade pública em 336 cidades. Segundo a Defesa Civil, as fortes chuvas que atingem o estado gaúcho, desde segunda-feira (29), já afetaram mais de 870 mil pessoas. De acordo com os dados mais atualizados, são 83 mortos, 111 desaparecidos e 129.279 desalojados.
A Marinha do Brasil enviou equipes, embarcações, aeronaves e viaturas para ajudar no resgate. A Força Aérea Brasileira enviou dois helicópteros para resgatar vítimas em cidades isoladas por causa das interdições nas rodovias, como Candelária, por exemplo.
Como ajudar?
Segundo as autoridades, desabrigados e desalojados que foram acolhidos pela Defesa Civil precisam não só de alimentos, como também de colchões, roupas de cama e banho e também cobertores. Quem mora na região de Porto Alegre pode contribuir presencialmente no Centro Logístico da Defesa Civil Estadual (avenida Joaquim Porto Villanova, 101, bairro Jardim Carvalho, Porto Alegre).
Além de receber doações de vários itens, as autoridades permitem a doação de qualquer tipo de valor em dinheiro. Para permitir a colaboração de pessoas de outras cidades e estados, o Governo do Estado criou uma chave Pix para receber doações. Quem quiser contribuir, pode fazer um Pix para o CNPJ 92958800000138.
Gaúcha de Porto Alegre, Mauri Dorneles é formada em Jornalismo pela PUC-RS e trabalha como correspondente do portal Itatiaia Esporte no Sul do Brasil. Também cursou Cinema. Antes da Itatiaia, passou por Correio do Povo, Record RS, Rádio Grenal, RBS TV e Band.
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.



