Com restrições em estradas e aeroporto, chuvas prejudicam infraestrutura e cadeias produtivas no RS
Dois meses após chuvas históricas, Rio Grande do Sul têm 50 pontos bloqueados parcialmente em estradas estaduais e federais; outros 30 pontos permanecem totalmente bloqueados

Com o estado oficialmente em calamidade pública, o Rio Grande do Sul entrou na primeira semana de maio registrando chuvas de proporções inéditas na história do Estado.
Em maio deste ano, a capital gaúcha registrou 539 mm de chuva. Foi o mês mais chuvoso da história de Porto Alegre em 124 anos.
Moradora da Ilha da Pintada, em Porto Alegre, durante a metade desses anos, a aposentada Jania conversou com a Itatiaia enquanto olhava para os móveis danificados e sujos da lama que veio junto com a água do Lago Guaíba que invadiu o arquipélago.
"Olha aí minha casa. Tá toda vazia, perdi porta, minha cozinha novinha. Não tinha nem três meses de uso e já estragou de novo. Não tem como voltar para cá agora, tá caindo telhado, tudo. Eu não sei se a gente vai ficar mais aqui", reclama.
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Símbolo do Rio Grande do Sul
Com o passar dos dias, o Lago Guaíba, símbolo do Rio Grande do Sul, passou a tirar noites de sono dos gaúchos. No dia 3 de maio, o Guaíba ultrapassou a marca histórica de 1941 e alcançou o nível inédito de 4,77 metros. Isso causou inundações em diversos bairros da capital gaúcha, incluindo o centro histórico. A situação piorou e muito. O Guaíba atingiu inéditos 5,35; o maior volume da história.
Os olhos do mundo voltaram-se para o Brasil. Questionado pela Itatiaia sobre a repercussão internacional, o embaixador do Governo Lula, André Corrêa do Lago, que também é Secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente, afirmou os países que fazem parte do G20 ficaram impactados com os estragos causados pelas inundações.
"Todas as delegações manifestaram apoio e solidariedade ao Brasil. O que aconteceu no Rio Grande do Sul mostrou a relação do Brasil com a mudança do clima além da Amazônia. Foram imagens de uma cidade com boa infraestrutura que sofreu com a mudança do clima. São várias cidades pensando: 'nós podemos ser a próxima vítima'. Para o resto do mundo, uma imagem de uma cidade inundada é muito mais próxima do que uma imagem da Amazônia seca", compara.
A chuva invadiu Porto Alegre e seguiu inundando cidades ao longo do Guaíba. Dos 497 municípios do Estado, 478 registraram danos em decorrência dos temporais. Foram mais de dois milhões e 300 mil afetados. Enfrentando situações mais graves, mais de 600 mil pessoas foram obrigadas a deixar as casas. Os temporais mataram 179 pessoas. Dois meses depois, 33 vítimas permanecem desaparecidas.
Em um dos momentos mais críticos, as estradas estaduais e federais chegaram a registrar mais de 150 pontos de bloqueios parciais e estaduais. A situação impressionou até policiais experientes. Foi o caso do diretor executivo da polícia rodoviária federal, Alberto Raposo.
Aeroporto alagado
As inundações invadiram o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. Um dos dez aeroportos mais importantes do país, precisou fechar as portas emergencialmente.
A nossa reportagem acompanhou de perto o drama dos gaúchos e das cargas que precisam seguir para o Rio Grande do Sul.
No deslocamento entre BH e Porto Alegre, que poderia ser feito em menos de três horas, a nossa reportagem gastou cerca de 15 horas. Foi preciso fazer escala no Rio de Janeiro, seguir para Florianópolis, em Santa Catarina. Depois, com vários pontos de bloqueio, o percurso de carro até Porto Alegre estava demorando até 7 horas.
Além do desastre humano e ambiental, as enchentes foram um duro golpe no sistema de infraestrutura gaúcho. A avaliação é do professor da escola de engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, PHD na área de transportes, Luiz Afonso dos Santos Senna.
"O aeroporto de Porto Alegre é vital. Imagina em Belo Horizonte sem os dois aeroportos (Confins e Pampulha). Compromete todas as cadeias completas de produção. A movimentação de pessoas, o turismo da região, que é um dos maiores polos de atração de turistas do país. Começa a gerar desemprego, subuso da estrutura hoteleira e assim por diante. A infraestrutura é a base sobre a qual a economia acontece", alerta o professor.
Trechos bloqueados
Neste momento, há 50 pontos bloqueados parcialmente em estradas estaduais e federais. Outros 30 pontos permanecem totalmente bloqueados. Em relação ao aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, a concessionária Fraport informou que concluiu nesta semana os trabalhos de limpeza no terminal de passageiros. Com isso, os serviços de embarque e desembarque devem ser retomados na segunda quinzena deste mês. Atualmente, o serviço está sendo realizado no Terminal ParkShopping, em Canoas, na Região Metropolitana.
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Com essas mudanças, os passageiros terão de ir ao aeroporto Salgado Filho – e não mais ao shopping em Canoas – e de lá serão levados de ônibus para base área de Canoas - de onde estão partido os voos. Os pousos e decolagens no aeroporto internacional, na capital gaúcha, só devem ser retomados em dezembro.
Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.



