Médica é denunciada por suspeita de atrasar altas para impedir pacientes de votar: ‘Maioria é petista'
Em mensagens enviadas a um grupo de trabalho, Marcella Segato de Sousa Melo teria sugerido a funcionários de plantão 'não dar alta para ninguém' durante o final de semana; mulher é chefe da ginecologia e obstetrícia de um hospital em Goiânia

Uma médica é suspeita de orientar profissionais que estivessem na enfermaria durante o fim de semana das eleições, realizadas nesse domingo (04), a não conceder altas médicas.
A justificativa apresentada pela mulher seria que a maioria dos pacientes internados no local seria apoiadora do Partido dos Trabalhadores (PT). "Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista", escreveu a médica.
O caso aconteceu em um grupo interno e privado de profissionais médicos da unidade. A mulher também teria feito comentários relacionados ao voto e ao número 22, utilizado pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), durante as conversas.
Segundo informações publicadas pelo Portal g1, a médica por trás das mensagens é Marcella Segato de Sousa Melo. A mulher é, inclusive, chefe da ginecologia e obstetrícia do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, capital de Goiás. As mensagens teriam sido enviadas na última sexta-feira (02).
Ainda de acordo com o g1, a médica foi denunciada ao Ministério Público Federal. A reportagem da Itatiaia entrou em contato com o órgão mas, até o momento, ainda não obteve um retorno. A Itatiaia também tentou encontrar a defesa de Marcella, mas não localizou representantes. O espaço segue aberto para manifestações.
Confira as mensagens enviadas pela médica:
Hospital vai apurar o caso
Em nota, o Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara afirmou que não adota posicionamento político-partidário e que as manifestações feitas no grupo privado são de responsabilidade pessoal de seus participantes. A instituição destacou que opiniões ou preferências políticas individuais não devem interferir no atendimento prestado aos pacientes.
Também segundo o hospital, decisões sobre internação, permanência e alta devem ser tomadas exclusivamente com base em critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança do paciente, independentemente das convicções políticas, ideológicas ou religiosas dos usuários.
A administração da unidade de saúde informou ainda que adotará procedimentos internos para verificar os fatos e o contexto em que as mensagens foram enviadas. Caso sejam identificadas condutas incompatíveis com as normas institucionais e profissionais, poderão ser aplicadas as medidas cabíveis.
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia também informou que tomou providências administrativas para apurar o episódio e reforçou às equipes da rede a necessidade de garantir atendimento adequado, ético e respeitoso a todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
Conselho de Medicina também acompanha denúncia
A Itatiaia também entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego). Em nota, o conselho informou que denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são apuradas sob sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico.
O conselho também afirmou que já solicitou esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias. O Cremego não divulgou detalhes sobre eventual procedimento relacionado à médica, em razão do caráter sigiloso das apurações.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.









