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Caso Edson Davi: advogado que representava família deixa defesa

Marcelo Shad alegou motivos pessoais; saída ocorreu um dia após mãe da criança participar de live com outro advogado, sem informar a equipe de defesa

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Edson Davi desapareceu na sexta-feira, 5 de janeiro • Reprodução | Redes sociais

O advogado que representava a família do menino Edson Davi, de seis anos, não está mais no caso. Desaparecido há mais de um mês, Edson sumiu quando brincava nas areias da Praia da Barra da Tijuca, Zona Oeste. Em uma postagem feita em suas redes sociais no último domingo (4), Marcelo Shad explicou que tomou a decisão de sair do caso por motivos pessoais.

“Por motivos pessoais se fez necessário que eu não seja mais o advogado da família do Davi. Eu tomei essa decisão por conta de vários acontecimentos, e isso me fez chegar a essa conclusão. Penso que fiz o que deveria ser feito, trabalhei com todas as estratégias minimamente pensadas: os pontos de solicitar o auxílio da mídia, isso foi pensado; os pontos de começar a divulgar em rede social também. Nada foi por acaso, foi tudo dentro de uma estratégia para que pudéssemos fomentar o auxílio da mídia. Espero que vocês entendam essa minha posição.”

Mesmo fora do caso, Marcelo Shad se colocou à disposição da família. “Fico à disposição. Não estou me furtando de qualquer ajuda a família, só não vejo mais motivos para ser eu o advogado a continuar no caso. (...) Deixo aqui meu abraço, solidariedade a todos, continuo na torcida para o que puder auxiliar.”

A saída de Marcelo Shad do caso ocorreu um dia após a mãe do menino, Marize Araújo, participar de uma live com outro advogado, que disse existir uma testemunha do caso de Brasília que precisa ser ouvida pela polícia. Durante a live, ele chegou a ser questionado por alguns internautas sobre a necessidade de avisar a Marcelo Shad sobre a transmissão do vivo. Shad, que assistia a live, foi convidado a participar da conversa.

“Eu acabei não tendo ciência da live, então, não tinha como participar. Se tivesse tido participação, se eu tivesse tido ciência, eu poderia me colocar à disposição para participar”, disse Marcelo Shad.

Edson David desapareceu no dia 4 de janeiro, quando brincava nas areias da Praia da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, ao lado da barraca da família, onde o pai trabalhava na ocasião. A Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), que investiga o caso, disse que já analisou imagens de 13 câmeras de segurança, ao redor da orla, em um perímetro de dois quilômetros. As imagens, segundo a especializada, mostram o menino na barraca do pai logo após uma partida de futebol e não há registro da criança saindo da praia. A polícia descarta a hipótese de sequestro e a principal linha de investigação é de que o menino tenha se afogado. A versão é contestada pela família do menino, que acredita que Edson Davi foi sequestrado. Segundo Marize, mãe do menino, Edson Davi tem medo de entrar na água.

“Desde o início a linha de investigação é afogamento, mas eu nunca acreditei. Eu sempre afirmei que meu filho não estava na água.”

Recentemente, a Polícia Civil teve acesso a novas imagens gravadas na Praia da Barra da Tijuca, que mostram a criança de cabelo seco, na barraca do pai. O vídeo, gravado por um funcionário da família do garoto, até agora é o mais recente registro feito antes de o menino sumir. A família do menino acredita que as novas imagens podem indicar que a criança não se afogou.

Além das investigações da PC, bombeiros seguem realizando buscas pela criança no mar. A procura foi ampliada para outras praias. Além da Barra da Tijuca, os bombeiros atuam também nas praias do Recreio, Guaratiba e Sepetiba, na Zona Oeste. Agentes estão ainda em alerta nas praias da Zona Sul da capital Fluminense e de Itacoatiara, em Niterói, na Região Metropolitana. A operação conta com apoio de drones, helicópteros, guarda-vidas, mergulhadores, quadriciclos e motos-aquáticas.

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Diana Rogers tem 34 anos e é repórter correspondente no Rio de Janeiro. Trabalha como repórter em rádio desde os 21 anos e passou por cinco emissoras no Rio: Globo, CBN, Tupi, Manchete e Mec. Cobriu grandes eventos como sete Carnavais na Sapucaí, bastidores da Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.