Vítima de mulher que se passou por criança de 12 anos tatuou nome falso da golpista; entenda
Na época, mulher se apresentava como 'Emily' e enganou um grupo de religiosos do Paraná por cerca de 10 meses durante a pandemia do Covid-19

Uma das vítimas de Amanda Maria Souza de Oliveira, a mulher de 37 anos que foi presa após se passar por uma criança de 12 anos e ser adotada, tatuou o nome falso usado pela criminosa durante um de seus golpes. A vítima, uma mulher que não será identificada, desenvolveu um vínculo afetivo com Amanda por cerca de 10 meses. Durante esse período, a mulher tatuou no próprio pulso o nome usado pela criminosa, que se apresentava como “Emily”, e se dizia uma menina de 13 anos em tratamento contra leucemia. A mulher enganada faz parte de um grupo religioso do Paraná que conviveu, de forma remota, com Amanda durante a Pandemia do Covid-19, em 2021.
Veja fotos da tatuagem:
Em entrevista à Itatiaia, a advogada criminalista Caroline Rangel, que representa as vítimas enganadas por Amanda nos estados do Paraná e do Rio de Janeiro, descreveu a atuação da criminosa e como ela se aproximou das pessoas. A golpista teria se infiltrado em um grupo católico de oração formado para prestar apoio a pessoas doentes. Aos cristãos, ela dizia ser uma adolescente com câncer.
“O contato começou em 2021 e foi até 2022, quando eles descobriram que se tratava de uma golpista. Eles [o grupo religioso e Amanda] se conheceram pela internet. A Amanda, que na época dizia que era a Emily, utilizou da bondade das pessoas desse grupo. Ela disse que era uma vítima do câncer, que estava em fase terminal e precisava de apoio. Todos se solidarizaram e começaram a ajudá-la. Começou apenas como uma relação de fé, e quando eles se deram conta, eles já estavam acolhendo ela de todas as formas possíveis, inclusive transferindo dinheiro”, afirmou a advogada.
A criminalista apontou também que, diferente de outros casos, a golpista se relacionou com o grupo religioso apenas de forma virtual, o que facilitou o disfarce montado por ela. “Na época era pandemia, ela estava quase sempre de máscara e usava aqueles filtros de infantilização do rosto. Quase sempre estava em meia luz. Ela fazia aquela voz de criança, ficava contando história triste e foi fazendo todo mundo acreditar que era uma criancinha adoecida. Então, era dessa forma que ela agia. E ela sempre enrolava para não encontrá-los pessoalmente, ela sempre inventava uma desculpa, sempre tinha uma história para não dar certo o encontro presencial. Ela conseguiu levar eles todos no papo por dez meses”, comentou Caroline Rangel.
O principal vínculo estabelecido por Amanda nesse grupo foi com a mulher que tatuou o “nome” dela em seu pulso. Ainda de acordo com a advogada do grupo, a vítima vivia um momento de fragilidade quando acabou se apegando à história inventada pela golpista. “Ela, de fato, tatuou o nome da ‘Emily’ no pulso junto com o nome dos filhos dela. O casamento dela, naquela época, estava até em vias de terminar porque ela estava tão obcecada, estava tão próxima da golpista, que ela foi deixando o casamento e a família dela de lado. E chegou ao ponto de tatuar o nome da golpista, porque na cabeça dela, ela estava acolhendo, estava homenageando ela, queria fazê-la se sentir amada e cuidada”, comentou Caroline.
Relembre a prisão de Amanda
Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, foi presa em flagrante pela Polícia Civil há pouco mais de uma semana, em 2 de junho, no distrito de Pirabeiraba, em Joinville, no estado de Santa Catarina. Ela foi detida após se passar por uma adolescente de 12 e viver durante 14 meses sob a guarda de uma família, que acreditava estar acolhendo uma menor de idade.
A suspeita utilizava o nome falso de "Gabriele" e, para convencer as vítimas, adotou uma série de comportamentos infantis para sustentar a farsa e conquistar a empatia das pessoas. Entre as estratégias utilizadas por ela, estavam o uso de acessórios infantis, como mamadeiras, chupetas e um paninho de dormir ("cheirinho"). Além disso, a mulher simulava ter crises de pânico noturnas, alterava o tom de voz para parecer mais jovem e apresentava um diagnóstico falso de autismo para justificar comportamentos e a ausência de documentos.
O inquérito que investigou a atuação de Amanda Maria Souza de Oliveira foi concluído na última sexta-feira (5) pela Polícia Civil de Santa Catarina. A suspeita foi indiciada por falsa identidade e estelionato. Agora, a mulher será submetida a um exame de sanidade mental. A determinação foi feita pela Justiça durante audiência de custódia realizada após a prisão da suspeita, investigada pelos crimes de estelionato e falsa identidade. A avaliação, marcada para o dia 26 de junho, deverá apontar se ela compreendia os atos praticados durante o período em que manteve a falsa identidade e sua capacidade de responder ao processo penal. A medida atende ao pedido da defesa da própria suspeita.
Ao todo, as investigações apontam que a golpista tenha feito vítima em diversos estados diferentes pelo Brasil, com passagens por Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Ceará, Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.







