PGR deverá investigar ofensas de governador de SC a cacica de povo Xokleng
Em visita à barragem em território indígena, o governador se envolver em uma discussão com a cacica do povo Xokleng e mandou ela ir à merda

A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi acionada para investigar declarações ofensivas públicas do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), direcionadas ao povo Xokleng. O pedido ao órgão de fiscalização foi protocolado pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).
Na visita às obras da Barragem Norte, no município de José Boiteux (SC), Jorginho se envolveu em uma discussão com uma cacica que manifestou insatisfação com a acusação do governante de que os indígenas supostamente teriam causado um incêndio a um local da barragem. Em resposta, o governador mandou a mulher ir "à merda". O episódio aconteceu no dia oito de julho.
No documento, o CNDH diz que a situação não pode ser tratada como episódio isolado porque se trata da relação entre uma autoridade pública e um povo indígena que vive no estado em que Melo governa.
Para o conselho, o comportamento foi um ataque à honra coletiva do povo Xokleng, já que o governador deslegitimou lideranças indígenas. Entende-se, ainda, que os xingamentos e a responsabilização dos indígenas pela destruição da barragem reforça estigmas e acua os indígenas no direito constitucional de manifestar e reivindicar.
O documento entregue à PGR também aponta que na nota divulgada pelo governo estadual, após o fato, não mencionou um pedido de desculpas oficial aos indígenas.
Contexto
Durante a visita à barragem, o governador deu uma entrevista e, em sua fala, responsabilizou os indígenas por supostamente terem incendiado uma casa de máquinas dentro da barragem.
“Estamos reformando a barragem, restaurando tudo que foi destruído pelos indígenas. Botaram fogo na casa de máquinas, aquela coisa toda. Estamos trocando as comportas, a empresa está a todo vapor”, afirmou.
Nesse momento, uma indígena, que informa ser cacica do povo Xokleng, reagiu e disse que o governador estava no local “para fazer política”, enquanto os “indígenas sofriam”. A partir disso, inicia-se o bate boca.
Jorginho retoma a entrevista e, em resposta, afirma que o governo e os indígenas “nunca estiveram em uma fase tão boa”. Por isso, as obras estão em consenso com a comunidade de povos originários.
“Estamos cumprindo com os indígenas o que ninguém cumpriu. Fazendo as obras, as casas”, seguiu.
A cacica volta a rebater o governador criticando a parte da fala em que ele afirma “está tudo sob controle”. Ao ser xingada pela segunda vez, ela o acusa de desrespeito e também manda a autoridade ir “à merda”.
“Você quer se eleger. Por isso você está fazendo política em cima do que é da União”, completou.
O desenrolar da briga acontece em meio a um cântico rítmico de protesto entoado pelos indígenas presentes. No cenário cartazes com cobravam que Jorginho cumprisse “o que foi prometido”; e diziam “não há justiça quando uma obra avança sem respeito aos compromissos assumidos”.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



