PF mira esquema de furto e comércio ilegal na cadeia de dendê no Pará
Operação prendeu nove pessoas preventivamente e suspendeu 11 empresas; investigação aponta possível participação de servidores da segurança pública.

A Receita Federal e a Polícia Federal (PF) deflagraram, nesta quinta-feira (17), operação contra grupos empresariais suspeitos de movimentar cerca de R$ 1 bilhão na cadeia econômica do dendê, no Pará. A investigação apurou que os recursos eram misturados com origem lícita e ilícita. Segundo o órgão fiscal, parte do valor movimentado entre 2023 e 2026 não tinha documentação contábil capaz de justificar sua origem ou destinação.
A Justiça determinou nove prisões preventivas, além de buscas e apreensões no Pará e em São Paulo. Também foi autorizado o bloqueio de aproximadamente R$ 153 milhões em bens e valores dos investigados e a suspensão, por tempo indeterminado, das atividades econômicas de 11 empresas.
As investigações começaram a partir da chamada “guerra do dendê”, conflito identificado principalmente nos municípios paraenses de Concórdia do Pará, Tomé-Açu, Acará, Moju e Tailândia. A Receita identificou movimentações financeiras incompatíveis com o faturamento declarado pelas empresas, pagamentos a pessoas e fornecedores aparentemente sem relação com o setor e venda de mercadorias sem o correspondente registro de entrada nos estoques.
Também foram encontrados indícios de empresas abertas em nome de terceiros e patrimônio registrado em nome de outras pessoas, práticas que podem ter sido utilizadas para ocultar recursos.
Segundo a Receita, além das irregularidades financeiras, há indícios da existência de uma estrutura criminosa armada dedicada ao furto, à receptação e à comercialização ilegal do fruto. Há suspeiras de que o grupo contava com a ajuda de servidores da área de segurança pública do estado.
A operação de hoje busca coletar mais informações para aprofundar as investigações e definir se houveram crimes de furto e receptação do fruto, comércio ilegal, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Os documentos e equipamentos apreendidos serão analisados em conjunto com informações fiscais e bancárias para aprofundar a investigação e identificar a origem e o destino dos recursos.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



