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PF investiga aplicação de R$ 1,2 milhão da previdência de Campo Grande no Master

Há indícios de que servidores do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande contribuíram em ações ou em omissões para as irregularidades na operação

PorBrasília
Marcos Oliveira/Agência Senado.

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (25), uma operação, chamada de Presciência, que investiga  um investimento de R$ 1,2 milhão em Letras Financeiras do Banco Master feito pelo Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG), no Mato Grosso do Sul (MS). Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão

Durante a operação, agentes estiveram na sede do IMPCG e em outros endereços ligados à investigação. 

Um computador do setor de contabilidade do instituto foi apreendido. Os investigadores analisam os indícios do envolvimento de servidores na operação desses investimentos não cumpriram procedimentos técnicos e administrativos, seja por ações ou por omissões. 

A PF ainda não indicou oficialmente os responsáveis pelas eventuais irregularidades. As circunstâncias que levaram à aplicação dos recursos e à participação de cada investigado serão apuradas durante o inquérito.

Além das buscas, a justiça autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. 

Início das investigações 

As investigações começaram a partir de um relatório de Auditoria Direta - Letras Financeiras, elaborado pela Coordenação-Geral de Auditoria do Departamento dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) do Ministério da Previdência Social.

Segundo a PF, o levantamento identificou possíveis irregularidades no processo de decisão que levou à aplicação dos recursos.

A suspeita é de que as decisões tenham exposto o patrimônio do regime previdenciário municipal a riscos. Em tese, os investigadores apuram se houve crimes de gestão temerária, corrupção passiva e corrupção ativa.

De acordo com informações divulgadas após a operação, o R$ 1,2 milhão investido pelo instituto foi recuperado judicialmente após a liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro de 2025. A recuperação dos recursos, no entanto, não impede a investigação sobre a regularidade do processo que levou à aplicação.

Outras operações em 2026

A Operação Presciência que ocorreu hoje não é a primeira ação da Polícia Federal a investigar aplicações de recursos previdenciários no Banco Master. Desde janeiro deste ano, já foram deflagradas cinco operações. Além do Rio de Janeiro (RJ), a polícia tem focado em regimes previdenciários municipais que tiveram aplicações próprias no extinto banco: 

  • Operação Barco de Papel: em janeiro foi apurado que investimentos de aproximadamente R$ 970 milhões do Rioprevidência, responsável pela gestão dos recursos previdenciários dos servidores do estado do Rio de Janeiro, tinham sido feitos na instituição financeira e estavam irregulares; 
  • Desdobramentos da Barco de Papel: em fevereiro, a polícia cruzou novas diligências que atingiram investigados ligados às operações do Rioprevidência;
  • Operação Compliance Zero: em maio, a PF passou a investigar mais de R$ 2 bilhões aplicados pela Rioprevidência em fundos do Master;
  • Operações Zehirut e Charitzut: também em maio, os policiais investigaram aplicações de R$ 9 milhões dos institutos de previdência de Angélica e Fátima do Sul, em Mato Grosso do Sul (MS);
  • Desdobramento da Operação Compliance Zero: em agosto, a PF fez busca e apreensão para investigar irregularidades em duas aplicações, que somam R$ 97 milhões, feitas pelo regime previdenciário do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Maceió (Iprev); 
  • Operação Presciência: ainda este mês houve a deflagração de uma aplicação de R$ 1,2 milhão do IMPCG, em Campo Grande, em Letras Financeiras do Banco Master.
Por

Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

 

 

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