Belo Horizonte
Itatiaia

Mortes de negros em operações policiais ocorrem acima da média populacional

Pesquisa Pele no Alvo obteve dados de mortes decorrentes de intervenções policial em nove estados monitorados: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo

Por
Operação policial no Rio de Janeiro em 2025 deixou 122 pessoas mortas • Tomaz Silva/Agência Brasil

A pesquisa Pele no Alvo, divulgada nesta quarta-feira (1°), revelou que mortes de negros em operações policiais ocorrem acima da média da população em todos os nove estados monitorados. Os dados foram obtidos pelo estudo via Lei de Acesso da Informação (LAI) com base no ano de 2025 e mostram que, na média dos estados, os negros têm quatro vezes mais chances de serem mortos pela polícia do que brancos.

Em Pernambuco, por exemplo, essa chance chega a ser 11 vezes maior. Já no Rio de Janeiro, seis. A situação é agravada quando se olha para a disparidade entre a proporção de negros mortos e a distribuição populacional. A maior discrepância ocorre no Amazonas. No estado, cerca 95% das pessoas mortas em operações policiais eram negras, enquanto essa população representa 75% do total de pessoas no estado.

Ao todo, nove estados brasileiros foram monitorados pelo estudo: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. A realidade do Amazonas é vivida também em todos os estados pesquisados.

Em Pernambuco, por exemplo, 94% das vítimas de operações policiais eram negras, enquanto essa população corresponde a 65% do total de pessoas no estado. A região é seguida da Bahia (93%) e Pará (93%).

Ao todo, 4330 pessoas morreram em decorrência de intervenções policiais nos nove estados pesquisados em 2025. Desse total, cerca de 86% das vítimas eram negras. Os números representam um aumento de 6,4% em relação a 2024.

Veja gráfico

Gráfico elaborado pela Rede de Observatórios com base nas informações enviadas pelas secretarias de segurança • Rede de Observatórios
Gráfico elaborado pela Rede de Observatórios com base nas informações enviadas pelas secretarias de segurança • Rede de Observatórios
Por

Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo