Itatiaia

Grande perigo: três estados brasileiros estão sob alerta de tornado a partir desta quinta (10)

Inmet prevê chuva acima de 100 mm e ventos superiores a 100 km/h; especialista alerta para avanço do risco de fenômenos severos

Por
EUA está em alerta para tornados
Imagem ilustrativa - Unsplash

O Brasil entrou em uma nova zona de atenção para tempestades severas nesta semana. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho, de grande perigo, para áreas das regiões Sul e Centro-Oeste. A previsão é de chuva superior a 100 milímetros por dia, ventos acima de 100 km/h e ainda possibilidade de granizo.

Além dos riscos de alagamentos, quedas de árvores, danos a plantações e interrupções no fornecimento de energia, as condições atmosféricas podem favorecer a formação de tornados em parte do país. Segundo o Climatempo, o risco é maior em áreas do Paraná, do extremo sul de Mato Grosso do Sul e do sudoeste e sul de São Paulo, especialmente na sexta-feira (11), embora a possibilidade já exista a partir dessa quinta (10).

Veja mapa do perigo:

• Reprodução | Inmet
• Reprodução | Inmet

Chuvas em outras partes do país

O alerta vermelho emitido pelo Inmet para esta quinta-feira (10) prevê mais de 100 mm de chuva em 24 horas, ventos superiores a 100 km/h e queda de granizo. A combinação pode provocar danos estruturais, interrupções no fornecimento de energia, queda de árvores, prejuízos agrícolas, alagamentos e dificuldades no transporte. A instabilidade, porém, não ficará restrita ao Sul e ao Centro-Oeste. Segundo a MetSul Meteorologia, uma sequência de sistemas atmosféricos deve provocar chuva volumosa também em áreas do Sudeste nos próximos dias.

Apesar dos maiores volumes esperados no Paraná e em São Paulo, também há previsão de chuva significativa em partes de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, sul de Minas Gerais e Rio de Janeiro. A formação de áreas de baixa pressão e a chegada de uma nova frente fria devem reforçar a instabilidade.

A MetSul aponta que a instabilidade aumenta especialmente entre quarta (9) e quinta-feira (10), quando pode haver chuva localmente forte no Sul. Na sexta-feira (11), o aprofundamento de uma área de baixa pressão sobre a região deve intensificar as condições de chuva e temporais, alcançando também Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Em São Paulo, a situação pode ser ainda mais prolongada. Projeções divulgadas pela MetSul indicam acumulados de 100 a 200 mm em grande parte do estado, podendo chegar a 200 a 300 mm na Região Metropolitana, Baixada Santista e Vale do Ribeira.

Tornados no Brasil

O cenário ocorre em meio a uma sequência de episódios de tempo severo que vem chamando atenção de meteorologistas. Em análise publicada pela CNN Brasil, o professor Pedro Côrtes, titular da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em clima e meio ambiente, afirmou que os tornados passaram a ocupar um espaço mais relevante no mapa de riscos meteorológicos do país.

Segundo Côrtes, levantamentos da PREVOTS registraram 92 tornados em 2025 e outros 81 até julho de 2026. O especialista, no entanto, faz uma ressalva importante: o aumento dos registros não significa necessariamente que esses fenômenos estejam ocorrendo em maior quantidade do que no passado.

Isso acontece porque o monitoramento meteorológico brasileiro melhorou consideravelmente nos últimos anos. Celulares, câmeras de segurança, redes sociais, radares e satélites aumentaram a capacidade de identificar e documentar fenômenos que, décadas atrás, poderiam ser classificados simplesmente como vendavais ou temporais. Ainda assim, Côrtes destaca que o Brasil precisa levar o risco a sério.

Em sua análise à CNN Brasil, o professor afirmou que “diante de um clima mais quente e favorável a tempestades severas, o Brasil precisa avançar no monitoramento, nos alertas e na preparação da população”. Para ele, a falta de uma série histórica homogênea impede determinar com precisão quanto do aumento observado está relacionado às mudanças climáticas, mas não elimina a necessidade de prevenção.

Tornados podem ficar mais destrutivos?

A relação entre mudanças climáticas e tornados ainda envolve incertezas. De acordo com Côrtes, uma atmosfera mais quente consegue reter maior quantidade de vapor d'água e pode aumentar a energia disponível para tempestades severas. Entretanto, a formação de um tornado depende de outros fatores, principalmente da organização das tempestades e do chamado cisalhamento vertical do vento, que corresponde às mudanças na velocidade e na direção dos ventos conforme aumenta a altitude.

Por isso, o especialista ressalta que ainda não é possível afirmar, com segurança, que os tornados estejam ocorrendo mais frequentemente ou ficando mais intensos em razão do aquecimento global. O que já pode ser observado é um ambiente atmosférico capaz de produzir tempestades severas e eventos extremos que exigem maior capacidade de monitoramento e resposta.

Diante desse cenário, a combinação de chuva intensa, ventos fortes, granizo e possibilidade de tornados reforça a necessidade de acompanhamento dos alertas oficiais e de adoção de medidas de segurança durante os temporais. Para Pedro Côrtes, o desafio brasileiro é justamente transformar o avanço do monitoramento meteorológico em uma capacidade mais rápida de prevenção. “Não podemos adiar medidas de prevenção diante de um risco crescente”, afirmou o especialista em análise publicada pela CNN Brasil.

Por

Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

 

 

Belo Horizonte