Feminicídios caem 3,2% no Brasil, mas 848 mulheres foram vítimas em 2026
Dados do Ministério da Justiça mostram queda nos sete primeiros meses do ano, mas governo alerta que números ainda exigem ações permanentes

O Brasil registrou 848 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), consolidados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). O número representa uma queda de 3,2% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 876 vítimas.
Apesar da redução, o Ministério da Justiça e Segurança Pública destaca que os números ainda estão em um patamar elevado e exigem ações permanentes de prevenção e combate à violência contra as mulheres.
Outro indicador acompanhado pelo governo é a média móvel de feminicídios. O índice atingiu o maior patamar recente em março, com 141,8 vítimas, mas apresentou queda nos quatro meses seguintes e chegou a 119,8 em julho. Na comparação com o pico registrado em março, a redução foi de 15,5%.
A redução dos feminicídios também aparece na análise por regiões. Três das cinco regiões brasileiras tiveram queda no número de casos entre janeiro e julho, na comparação com o mesmo período do ano passado.
O Nordeste registrou a maior redução, com os casos passando de 257 para 220 vítimas, uma queda de 14,4%. No Sudeste, foram 302 vítimas, contra 317 no mesmo período de 2025, redução de 4,7%. No Norte, a queda foi de 1,2%, com os registros passando de 85 para 84 vítimas.
Por outro lado, duas regiões registraram aumento. No Sul, o número de vítimas passou de 121 para 139, alta de 14,9%. Já no Centro-Oeste, foram 103 vítimas, contra 96 no ano anterior, crescimento de 7,3%.
O levantamento mostra ainda que 14 unidades da Federação registraram redução no número de feminicídios nos sete primeiros meses do ano. Duas permaneceram estáveis e 11 tiveram aumento.
Entre as maiores quedas proporcionais estão Rondônia, com redução de 64,7%; Piauí, com 57,1%; Maranhão, com 42,4%; Acre e Roraima, ambos com 40%; e Distrito Federal, com queda de 31,3%.
Em números absolutos, o Piauí passou de 28 para 12 vítimas. Minas Gerais caiu de 93 para 79, Pernambuco de 57 para 45 e Maranhão de 33 para 19.
Para o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, a redução é um resultado importante, mas ainda está distante do cenário desejado. Segundo ele, não existe número aceitável de feminicídios e é necessário ampliar ações de prevenção, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores.
Operação Mulher Segura
Entre as estratégias adotadas pelo governo federal está a Operação Mulher Segura, coordenada pela Senasp em parceria com as forças de segurança dos estados e do Distrito Federal.
Nas duas fases realizadas em 2026, a operação contabiliza 34,4 mil prisões, entre flagrantes e cumprimento de mandados judiciais. Também foram registrados mais de 150 mil atendimentos a vítimas e mais de 95 mil acompanhamentos de medidas protetivas de urgência.
O governo também destaca o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, firmado pelos Três Poderes em fevereiro deste ano. A iniciativa busca integrar ações de prevenção, proteção das vítimas e responsabilização dos autores de violência contra mulheres e meninas.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



