Estudo aponta que verticalização no Brasil não garante qualidade urbana
Pesquisa da USP aponta que modelo de torres isoladas nas cidades brasileiras aumenta a fragmentação urbana e não garante mais moradores

A intensa verticalização das grandes cidades brasileiras não significa, necessariamente, mais moradores por área ou melhor aproveitamento dos espaços urbanos. Essa é a conclusão de um estudo desenvolvido pela pesquisadora Patricia Mara Sanches durante doutorado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), em Piracicaba.
A pesquisa analisou diferentes modelos urbanos em São Paulo, Brasília e Berlim para entender como as formas de ocupação das cidades influenciam a densidade populacional e a oferta de espaços livres.
Os resultados mostraram que edifícios altos e grandes torres residenciais, comuns em cidades brasileiras, concentram alta densidade construída, mas nem sempre abrigam mais pessoas. Em muitos casos, há grande volume de construção aliado a baixa ocupação habitacional.
Comparação com cidades europeias
O estudo, publicado na revista científica Habitat International, comparou oito tipos de morfologia urbana e identificou que modelos presentes em Berlim apresentaram melhor equilíbrio entre densidade habitacional e áreas livres.
Segundo a pesquisa, bairros europeus com quadras perimetrais e edifícios de médio porte conseguiram unir maior número de moradores com melhor distribuição de espaços abertos.
Já o modelo predominante em cidades latino-americanas — baseado em lotes individuais e torres isoladas — tende a gerar áreas urbanas fragmentadas, com pouca integração entre prédios, ruas e espaços livres.
Verticalização não garante qualidade urbana
De acordo com Patricia Mara Sanches, a forma como os edifícios ocupam as quadras é determinante para a qualidade urbana.
“A verticalização não garante automaticamente cidades mais densas ou com mais espaços livres propícios à arborização”, afirma a pesquisadora.
Ela destaca que o desenho urbano influencia diretamente o potencial de criação de áreas vegetadas e de convivência.
Debate sobre planejamento urbano
Para o professor Demóstenes Ferreira da Silva Filho, orientador do estudo, os resultados ajudam a ampliar a discussão sobre planejamento urbano sustentável no Brasil.
Segundo ele, modelos urbanos baseados em quadras perimetrais — comuns em cidades europeias — podem representar alternativas mais eficientes para conciliar densidade populacional, mobilidade e qualidade de vida.
A pesquisa também aponta que o crescimento urbano brasileiro priorizou modelos que favorecem o isolamento entre edifícios e reduzem a integração dos espaços públicos.
Além da análise da densidade urbana, a tese também investiga a presença de vegetação e áreas verdes dentro das quadras urbanas, tema que deverá ser aprofundado em futuras publicações internacionais.
A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.



