Concentração de estudantes após restrição de celulares aumentou 95%, afirma MEC
Pesquisa sobre a lei de restrição de celulares mostra que a adesão tem sido alta entre estudantes, mas adolescentes ainda resistem. Professores defendem uso de celulares apenas para fins pedagógicos

A restrição do uso de celulares nas escolas melhorou a concentração dos estudantes durante as aulas. É o que apontam 95% dos professores da rede pública de ensino ouvidos na Pesquisa Nacional sobre a Restrição de Celulares nas Escolas, divulgada pelo Ministério da Educação (MEC), nesta terça-feira (30).
Segundo a secretária de Educação Básica do MEC, Katia Schweickardt, que apresentou os principais resultados do levantamento, uma das maiores reclamações dos docentes antes da entrada em vigor da lei era a dificuldade de manter a atenção dos alunos e o engajamento nas atividades em sala de aula.
"A gente já viu que o processo de restrição melhorou esse engajamento", afirmou.
Apesar dos resultados positivos, a secretária destacou que ainda há resistência por parte dos adultos. Segundo ela, a adaptação às mudanças tem sido mais lenta entre esse público que entre as crianças e adolescentes. Ainda assim, a adesão das escolas à legislação é considerada elevada: 92% das instituições já implementaram as regras previstas na lei.
O principal desafio, no entanto, continua sendo o cumprimento da norma pelos estudantes, principalmente no ensino médio. De acordo com a pesquisa, apenas 39% dos alunos aderem integralmente às regras.
Entre as dificuldades apontadas, está a necessidade de os professores verificarem constantemente se os estudantes mantêm os celulares guardados nas mochilas. Essa situação foi citada por 31% dos gestores de escolas públicas.
O levantamento também mostra que 48% dos gestores escolares defendem medidas adicionais, como o uso de celulares para fins pedagógicos ao invés do aparelho de uso pessoal, para fortalecer a implementação da política.
A coordenadora-geral de Educação Digital, Inovação e Conectividade da Secretaria de Educação Básica do MEC, Ana Dal Fabbro, afirmou que, para consolidar os resultados da restrição, é necessário ampliar a oferta de dispositivos digitais exclusivamente às atividades pedagógicas. Esse foi apontado como um dos desafios ainda presentes na operacionalização da política pública.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



