Brasil tem 4,7 milhões de pessoas expostas a áreas de risco geológico em 2026
Número representa um aumento de cerca de 400 mil pessoas em relação ao ano anterior, segundo o Observatório Brasileiro das Desigualdades

Cerca de 4,7 milhões de pessoas estão expostas a áreas de risco geológico no Brasil em 2026, segundo o Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026. O número representa um aumento de 7% em relação aos 4,3 milhões registrados no ano anterior e revela a ampliação da população vulnerável aos impactos das mudanças climáticas no país.
De acordo com o levantamento, embora o Brasil tenha apresentado melhora em indicadores ambientais nos últimos anos, o cenário relacionado à ocupação de áreas de risco continua preocupante. O aumento da população exposta não está relacionado ao adensamento de pessoas em áreas de risco já existentes, mas à expansão dessas áreas.
Atualmente, existem cerca de 17 mil áreas classificadas como de risco geológico no país. A maior parte é ocupada por pessoas que não têm condições de acesso a uma moradia adequada, o que, de acordo com o relatório, evidencia também um problema relacionado à desigualdade social e à falta de políticas habitacionais.
Número de pessoas em áreas de risco geológico no Brasil
2023 - 4.059.576
2024 - 4.365.530
2026 - 4.679.655
Número de pessoas em áreas de risco geológico por região
Centro-Oeste - 49.565
Norte - 920.020
Nordeste - 1.027.594
Sul - 1.225.741
Sudeste - 1.456.735
Área de desmatamento
O Brasil registrou uma expressiva redução do desmatamento nos últimos anos. Após atingir o pico de 2,1 milhões de hectares desmatados em 2022, a área desmatada caiu para 984,8 mil hectares em 2025, uma redução de 53,4% em relação ao maior nível da série recente. No acumulado entre 2019 e 2025, foram desmatados aproximadamente 10,9 milhões de hectares no país. A redução foi mais intensa nas regiões Norte e Nordeste, responsáveis por grande parte do desmatamento nacional.
Na região Norte, a área desmatada caiu de 470,9 mil hectares em 2024 para 323,7 mil hectares em 2025. No Nordeste, a redução foi de 568,3 mil para 469,5 mil hectares no mesmo período. Apesar da melhora, o Nordeste permaneceu como a região proporcionalmente mais afetada pelo desmatamento no período analisado. A área acumulada corresponde a 2,32% do território da região, acima da média nacional, de 1,28%.
Entre as Unidades da Federação que registraram aumento da área desmatada em 2025, na comparação com 2024, estão Distrito Federal, São Paulo, Paraná, Espírito Santo, Amapá, Santa Catarina, Mato Grosso, Minas Gerais e Piauí.
Emissões de CO₂
As emissões brasileiras de gases de efeito estufa também apresentaram redução. Em 2024, o país emitiu 2,15 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, uma queda de 16,7% em relação a 2023. As emissões per capita também diminuíram, passando de 12,2 para 10,1 toneladas por habitante.
A redução foi impulsionada principalmente pela região Norte, especialmente pelos estados do Amapá, Rondônia e Pará, em um cenário associado à diminuição das emissões relacionadas às mudanças no uso da terra e ao desmatamento. A queda das emissões foi observada em todas as grandes regiões brasileiras, com exceção do Sudeste, que apresentou ligeiro aumento em relação ao ano anterior.
Entre os estados, os maiores aumentos foram registrados em Roraima (28,7%), Rio Grande do Sul (9,9%), Piauí (8,3%), Sergipe (6,4%) e Minas Gerais (6,4%). Apesar da redução nacional, o relatório aponta diferenças significativas entre as regiões. Em 2024, as emissões per capita no Norte chegaram a 32,9 toneladas por habitante, mais de seis vezes o registrado no Sudeste, com 4,9 toneladas. Mato Grosso, com 60,3 toneladas por habitante, Roraima, com 56,2, Acre, com 51,4, e Tocantins, com 46,2, apresentaram os maiores níveis de emissões per capita do país.
Os dados mostram que a pressão ambiental permanece concentrada principalmente em regiões onde predominam atividades relacionadas ao desmatamento e à expansão da fronteira agropecuária.
Emissões por uso da terra e florestas
As emissões de gases de efeito estufa provenientes das mudanças no uso da terra e das florestas também apresentaram forte redução em 2024. No Brasil, o volume caiu de 1,34 bilhão para 905,6 milhões de toneladas de CO₂ equivalente entre 2023 e 2024, uma redução de 32,5%. As emissões per capita passaram de 6,3 para 4,3 toneladas por habitante.
A queda ocorreu principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, que concentram grande parte das emissões relacionadas ao desmatamento e à conversão da cobertura vegetal. Entre as Unidades da Federação, os maiores recuos foram registrados no Amapá (-77,4%), Espírito Santo (-71,0%), Paraná (-70,8%), São Paulo (-70,7%), Santa Catarina (-67,7%) e Rondônia (-63,4%).
Na contramão da tendência nacional, Minas Gerais registrou crescimento de 23,7% nas emissões provenientes das mudanças no uso da terra e das florestas em relação a 2023. De acordo com o relatório, os indicadores mostram, portanto, um cenário ambiental com avanços importantes na redução do desmatamento e das emissões, mas ainda marcado pela expansão das áreas de risco geológico e por fortes desigualdades entre regiões e estados brasileiros.
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