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Ônibus perdem 1 em cada 4 passageiros pagantes desde a pandemia

Segundo dados do relatório divulgado nesta terça-feira (12), a queda no número de passageiros pode ter relação direta com o aumento da frota de motocicletas

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Abraão Bruck/CMBH.

O transporte público coletivo por ônibus no Brasil consolidou um novo padrão de demanda, significativamente inferior aos níveis registrados antes de 2020. De acordo com os dados divulgados no Anuário da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), o número de passageiros que pagam passagem caiu 26,8% em comparação com o período anterior à pandemia de Covid-19.

A demanda total de passageiros parou de crescer e se estabilizou em apenas 77,5% do que era antes da crise sanitária. Só no último ano, o setor registrou uma nova queda de 3,7% no total de viagens.

Aumento do número de motos

Segundo dados do relatório, a queda no número de passageiros pode ter relação direta com o aumento da frota de motocicletas. Em 2025, o país atingiu o recorde histórico de 2,2 milhões de motos vendidas, superando o número de carros novos licenciados.

O estudo aponta que a falta de regulamentação dos aplicativos e o incentivo à compra de veículos próprios contribuíram para que os passageiros priorizassem o transporte individual em relação ao transporte coletivo.

A migração dos passageiros para as motocicletas e os aplicativos alterou o perfil de quem utiliza os ônibus.

  • Em 2021, 72% dos usuários que utilizavam ônibus pagavam a passagem.
  • Em 2025, esse grupo encolheu para 55,4%.

De acordo com o anuário, o restante dos usuários viaja por meio de gratuidades ou benefícios sociais, o que resulta no que o levantamento chama de "ciclo vicioso" do transporte coletivo: com menos recursos, as prefeituras reduzem o número de ônibus nas ruas, o serviço piora, resultando em maior tempo de espera para os usuários e no aumento da desistência desse tipo de transporte.

Custo do transporte

Manter os ônibus em circulação no Brasil, de acordo com a pesquisa, custa R$ 75,7 bilhões por ano. Desse valor, o governo cobre cerca de 20% por meio de subsídios, enquanto o restante é pago pelas prefeituras ou pelos próprios usuários.

Como forma de propor melhorias, a NTU defende a aplicação prática do novo Marco Legal do Transporte Público, sancionado pelo presidente Lula (PT) neste ano. A lei determina que a tarifa deve ser separada do custo real de operação, para que o sistema "sobreviva" mesmo com a queda no número de passageiros pagantes.

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.

 

 

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