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Adolescente grávida em 'roleta russa'? História que aconteceu há 7 anos viraliza; entenda

A psicanalista Andréa Vermont relatou como funciona a prática sexual entre os adolescentes e dá dicas de como orientá-los para evitar situações como essa

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Mulher comprou enxoval feminino e fez chá revelação com resultado de exame errado • Imagem Ilustrativa | Freepik

"Você sabe o que é roleta russa? Os meninos se sentam em várias cadeiras, ficam com ereção e as meninas passam sentando. [Ela me disse:] 'Eu engravidei em uma roleta russa, então, eu não sei de quem é'", contou a psicanalista ao podcast 3 Irmãos.

"Essa é uma prática que acontece entre jovens e adolescentes. Não é um relato tão incomum quanto pareceu. Por isso fiquei surpresa em ter viralizado. Eu fiquei assustada [com a repercussão]. É engraçado porque parece que existe um limbo entre o mundo dos adultos e o mundo dos adolescentes. Eu já percebia, mas [depois da repercussão] ficou claro o quanto existe um abismo", afirma a profissional.

Escola criou programa de educação sexual após caso

"A escola já tinha uma preocupação de ter esse apoio emocional para os jovens. Depois desse acontecido, aplicamos uma pesquisa para entender a vida sexual dos alunos e criamos um programa de educação sexual", contou.

"Sexo ainda é um tabu muito grande. É um assunto pouco abordado nas famílias, nas escolas, nas instituições. E [quando é falado] ainda é de forma muito científica, catedrática. Quando você conversa de igual para igual, tem atendimentos individualizadas e entende o mundo dos adolescentes, eles se sentem mais à vontade para falar e a conscientização é muito maior", disse.

Como orientar filhos adolescentes?

"Hoje em dia, a liberdade dada aos jovens é confundida com abandono emocional. A adolescência é um limbo entre a infância e vida adulta. Nesse limbo, o ser humano está sujeito a várias influências. Se ele não tem referência, apoio e limite, ele vai cair em várias armadilhas, desde desafios nas redes sociais a um comportamento sexual disfuncional", disse.

"O adolescente é vulnerável e vai buscar em algo ou alguém a quem se apoiar. Por isso, pais, escolas e instituições têm que estar próximos e acessar eles de alguma forma para orientá-los. Não dá para controlar tudo, mas dá para a gente entender que mundo é esse deles e como podemos ajudar", acrescentou.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.