Adolescente de 14 anos é apontado como chefe de quadrilha que promovia 'desafios' violentos na internet
Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa do menor, em Campo Grande (MS); ele é um dos alvos da operação 'Adolescência Segura', deflagrada na terça (15)

Um adolescente de 14 anos, morador de Campo Grande (MS), é apontado como o chefe de um dos maiores grupos criminosos do Brasil voltados à prática de crimes cibernéticos contra crianças e adolescentes. A quadrilha é alvo da operação "Adolescência Segura", deflagrada na terça-feira (15) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, em parceria com as polícias de outros sete estados e o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A PC do Mato Grosso do Sul cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa do adolescente. Foram apreendidos computadores, celulares e documentos do suspeito. Segundo as investigações, ele ocupava um cargo alto na hierarquia da organização e era responsável pela “engenharia criminosa” do grupo.
Grupo promovia desafios violentos nas redes sociais
De acordo com a investigação, o grupo atuava em plataformas, como Discord e Telegram, e convencia jovens vulneráveis a participarem de desafios ligados à violência e prática criminosa. As vítimas recebiam recompensas simbólicas pelos atos ilegais.
As autoridades ainda tentam localizar os responsáveis por publicar os desafios nas redes sociais. Caso sejam encontrados, eles podem responder por homicídio duplamente qualificado através de meio que pode causar perigo comum e contra menor de 14 anos. A pena pode chegar a 30 anos de prisão.
Investigação começou após adolescente atear fogo em morador de rua
Segundo a PCERJ, as investigações começaram quando jovens atearam fogo em um homem em situação de rua em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. A ação foi transmitida em tempo real pelo Discord e as imagens mostram um adolescente de 17 anos jogando um coquetel molotov na vítima. O homem teve 70% do corpo queimado. Um militar, de 20, que filmou a violência, foi preso.
Criança morre após participar de desafio na internet
A operação foi deflagrada dois dias depois da morte de Sarah Raíssa Pereira de Castro, de oito anos, que morreu após inalar desodorante aerossol no Distrito Federal.
A criança participava de um desafio do TikTok e acabou sofrendo uma parada cardíaca. Ela foi reanimada, mas teve morte cerebral confirmada no domingo (13).
A família de Sarah Raissa Pereira de Castro afirma que ela participou de uma “brincadeira” conhecida como “desafio do desodorante”, que consiste em inalar o spray pelo maior tempo possível.
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


