A Polícia Civil de São Paulo investiga uma mulher suspeita de inventar que a própria filha de oito meses estava com leucemia para pedir doações, em Monte Alto (SP). A mãe da bebê teria confessado o crime a uma amiga em uma conversa por mensagens de celular. A amiga conta que, após ser pressionada, a suspeita afirmou que a criança não está doente. As informações são do portal g1.
Segundo o delegado Marcelo Mello Garcia, a mulher pode responder por estelionato e maus-tratos. A mãe da bebê raspou os cabelos da filha para fingir que ela havia ficado careca por causa da quimioterapia.
O caso chegou à polícia por meio do Conselho Tutelar. A menina foi retirada da mãe e está sob os cuidados de um lar provisório até o fim das investigações.
Na redes sociais, a mulher publicava fotos da bebê e dizia que a criança estava se recuperando do câncer. “Contrariou os médicos e superou todas as expectativas que eles tinham e, graças a Deus, que a fez guerreira, está se recuperando, dia após dia”, disse a mulher em uma das publicações.
A mulher também postava fotos da bebê em meio a pacotes de fraldas e latas de leite em pó - itens doados por pessoas que se sensibilizaram com a história.
Suspeita usava desculpa da doença da filha para faltar ao trabalho
As suspeitas contra a mãe da bebê começaram em maio deste ano. A mulher havia contado aos colegas de trabalho que a filha estava com leucemia. Segundo uma testemunha ouvida pelo g1, desde então, ela passou a faltar frequentemente no trabalho e sempre dizia que era por causa do tratamento e consultas da bebê.
Contudo, a mãe nunca apresentava atestados médicos para justificar as faltas ou aparentava estar preocupada com o estado de saúde da filha.
“Como ela faltava muito no serviço, meu patrão pedia os atestados [para justificar as faltas], mas ela não trazia nenhum documento comprovando a doença da menina e queria receber o salário inteiro. No dia 17 de junho, ela disse que iria para Barretos levar a menina, e meu patrão pediu um documento, pois fazia cinco dias que ela não ia trabalhar e não apresentava nada. Foi então que ela pediu demissão, pois se sentiu encurralada”, contou.
Após sair do emprego, a mulher começou a compartilhar o estado de saúde da filha nas redes sociais. Até mesmo veículos de comunicação da cidade chegaram a relatar o drama da menina. Segundo a ex-colega de trabalho da suspeita, quando a mãe publicou as fotos da bebê com a cabeça raspada, a comoção foi ainda maior.
“Quando começamos a desconfiar, ela raspou a cabeça da menina e mandou uma foto dizendo que o cabelo estava caindo por causa da quimioterapia. Depois descobrimos que ela usou uma lâmina para fazer isso”, disse a testemunha.
Criança tratava outra doença
Segundo o delegado, a Polícia Civil descobriu que a criança realmente recebia era acompanhada no Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto (SP), mas para tratar outra doença.
“O que sabemos até agora, por meio do Conselho Tutelar, é que essa criança não tem leucemia, mas sim uma doença gastrointestinal (bem menos grave) e que a mãe teria solicitado doações via rede social alegando a leucemia”, afirma Garcia.