O resultado da necropsia dos jovens encontrados mortos nesta segunda-feira (1°) indicou hipoxemia como causa da morte, que é quando há falta de oxigenação do sangue. Júlia Santos de Oliveira, de 17 anos, e João Pedro Ramos das Neves, de 20 anos, foram encontrados em um veículo estacionado em Itaguaí, na Baixada Fluminense.
“A principal linha de investigação aponta para a hipótese de morte acidental. Foi realizada a perícia no veículo e exames complementares serão feitos para identificar a substância que causou a asfixia. Familiares dos jovens serão ouvidos e agentes realizam outras diligências para esclarecer todos os fatos”, informou a Polícia Civil.
A família disse ainda que o corpo da jovem foi encontrado no carro de um conhecido dela e que o veículo estava com ar condicionado ligado e os vidros fechados. O que pode ser um indicativo de hipoxemia causada pela intoxicação com gás carbônico. Em entrevista à Itatiaia, o professor da Faculdade de Medicina da UFMG, Geraldo Cunha Cury, explicou como funciona esse envenenamento. “A hipoxemia é causada pelo monóxido de carbono, um gás que não tem cheiro e que, ao ser respirado, leva uma interrupção da chegada do oxigênio aos órgãos”, esclarece.
O profissional pontua que em casos como o de Júlia e de João Pedro Ramos, quando há vazamento de gás do escapamento para dentro do carro, ao invés das pessoas respirarem o oxigênio, elas respiram o monóxido de carbono. “Ele preenche o local que se estiver fechado, funciona como se fosse uma câmara de gás”.
Geraldo Cunha Cury afirma que essa situação não é fácil de ser prevenida, porque o monóxido de carbono não tem cheiro e é difícil de ser percebido. Contudo, ele aconselha que as pessoas não passem muito tempo com o ar condicionado ligado e com as janelas fechadas, principalmente, se o veículo estiver com algum defeito.