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De olho em 2024: dez focos para a educação!

O que o país precisa cuidar, no campo da educação, em 2024? Vamos ficar de olho nesses 10 aspectos importantes para a educação brasileira?

Mais um ano chega ao fim e outro já se anuncia, então, é hora de renovar as expectativas, sonhar, projetar! O que precisa ser prioridade para a educação brasileira em 2024?

É um desafio enorme fazer uma lista com 10 focos para o campo da educação. Trago uma lista possível, sabendo que poderíamos contemplar vários outros pontos. Vamos lá?

1. Alfabetização: temos evoluído na qualidade da alfabetização, mas esse avanço não é uma realidade para todas as crianças que estão nos anos iniciais do Ensino Fundamental. O foco é oferecer as condições necessárias para que todas as crianças do país sejam alfabetizadas nessa fase tão importante da vida.

2. Ensino Fundamental (anos finais): nossos adolescentes do 6° ao 9° anos do Ensino Fundamental vivenciam muitas transformações, seja na dimensão biológica (mudanças no corpo), social (novos modos de ser e estar com as outras pessoas e o seu contexto), acadêmico (muitos conhecimentos a aprender) e de participação (querem colocar a mão na massa, deixar marcas no mundo!). O foco é oferecer uma escola que os possibilite viver a adolescência em suas potencialidades, aprender conhecimentos importantes e desejar continuar os estudos na etapa seguinte, que é o Ensino Médio.

3. Ensino Médio: os jovens do Ensino Médio querem uma escola que os ajude a construir e implementar seus projetos de vida. Esperam que a escola os prepare para os desafios do presente e do futuro, em suas dimensões pessoal, social e profissional. Uma parte deles quer fazer faculdade após a conclusão da Educação Básica, enquanto outra parte deseja já entrar no mundo do trabalho. O foco é que o Ensino Médio responda aos anseios juvenis, garantindo que nossas juventudes vejam sentido na escola, aprendam o que lhes é de direito e queiram concluir essa etapa importante da Educação Básica.

4. Recomposição das aprendizagens: sabemos que, no Brasil, nem todos os estudantes têm garantido o seu direito à educação de qualidade. A pandemia de Covid-19 aprofundou essas desigualdades, já que uma parcela grande de crianças, adolescentes e jovens tiveram seu processo de aprendizagem interrompido ou prejudicado. O foco é priorizar habilidades e competências essenciais, oferecendo um conjunto de estratégias e ações que possam reduzir fortemente a defasagem das aprendizagens de uma parcela significativa dos nossos estudantes.

5. Educação integral em tempo integral: permanecer mais tempo na escola é importante, porque viabiliza que os alunos participem de uma diversidade de situações que favorecem a aprendizagem. Mais do que ficar mais horas em sala de aula, a educação integral é aquela que tem a intenção de promover o desenvolvimento dos alunos por inteiro. Que os desafia a crescer nas dimensões cognitiva, social, emocional, cultural, física etc. O foco é que mais crianças, adolescentes e jovens tenham acesso à educação integral em tempo integral nas escolas de todo o país.

6. Educação antirracista: você sabia que alunos negros aprendem menos que estudantes brancos, no Brasil? E isso ocorre porque, como sabemos, eles ainda não têm garantidas as mesmas condições para que possam se desenvolver. Uma sociedade racista produz escolas racistas, é preciso reconhecer. O foco é inverter essa lógica perversa, efetivando escolas antirracistas, em que todos os alunos tenham seu direito à educação de qualidade garantido e possam desenvolver plenamente seus potenciais.

7. Educação para o meio ambiente, a sustentabilidade e o clima: as questões climáticas têm afetado, cada vez mais, a vida das pessoas e sociedades em nosso planeta. É prioridade da humanidade construir modos sustentáveis de viver. Para isso, é essencial ter conhecimentos, ter consciência dos problemas e agir. O foco é possibilitar que a escola ensine, de modo aprofundado, sobre meio ambiente, sustentabilidade e clima, engajando as novas gerações na transformação de nossas relações com o planeta.

8. Internet nas escolas: uma escola conectada possibilita que seus professores e estudantes sejam parte de uma comunidade global, acessando conhecimentos, interagindo com pessoas de outras partes do país e do mundo, partilhando suas produções. O foco é garantir que todas as escolas tenham conexão de alta velocidade acessível para professores e alunos.

9. Formação de professores: assim como no caso de profissionais de outras áreas essenciais para a sociedade, os professores precisam e desejam investir em sua formação ao longo da vida. Assim, estão em constante aprimoramento, possibilitando que lidem com os desafios que permeiam o seu trabalho. O foco é oferecer formação continuada de qualidade a todos os profissionais e garantir que eles tenham tempo e outras condições necessárias para que possam cuidar de sua formação.

10. Plano Nacional de Educação: em 2024, encerram os 10 anos do atual Plano Nacional de Educação (Lei n° 13.005/2014). Este é o momento, portanto, de reconhecer todas as conquistas alcançadas, que não foram poucas, mas certamente insuficientes. É momento, também, de identificar tudo o que ainda é preciso avançar, estabelecendo novas metas. O foco do país é construir um novo plano, para os próximos 10 anos, em busca de efetivar uma educação de qualidade, inclusiva, equitativa, com sentido, conectada às realidades brasileiras, que possibilite esse grande sonho que temos: oferecer a todas e a cada uma de nossas crianças, adolescentes e jovens boas condições para que se desenvolvam de modo integral.

Que tenhamos, também na educação, um feliz 2024!

Paulo Emílio Andrade é presidente do Instituto iungo, organização sem fins lucrativos que tem o propósito de transformar, com os professores, a educação no Brasil. É, também, professor da PUC Minas e pesquisador do Núcleo de Novas Arquiteturas Pedagógicas da USP.

Paulo Emílio Andrade é presidente do Instituto iungo, organização sem fins lucrativos que tem o propósito de transformar, com os professores, a educação no Brasil. É mestre e doutor em educação, pesquisador do Núcleo de Novas Arquiteturas Pedagógicas da USP e professor da PUC Minas.
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