Itatiaia

Guerra de preços dos carros novos pressiona valor dos usados no Brasil

Relatório da Indicata aponta que descontos no mercado de veículos novos reduzem a diferença para os seminovos, exigem reajustes mais rápidos e aumentam os desafios para preservar o valor residual

Por
Divulgação

O mercado brasileiro de veículos usados segue aquecido, mas enfrenta um novo desafio em 2026. Segundo a 13ª edição do Market Watch Brasil, da Indicata, a intensificação da guerra de preços entre os veículos zero quilômetro vem pressionando o valor dos seminovos e obrigando concessionárias, lojistas e operadores de remarketing a reajustarem seus preços com maior rapidez.

O estudo destaca que os veículos com mais de cinco anos continuam sendo a principal base do mercado brasileiro, por estarem em uma faixa de preço mais acessível à maior parte dos consumidores. Ao mesmo tempo, cresce o interesse por modelos com menos de dois anos de uso, movimento impulsionado pela redução da diferença de preço entre os carros novos, beneficiados por fortes campanhas promocionais, e os seminovos.

• Shutterstock
• Shutterstock

De acordo com a Indicata, líder global em inteligência de negócios e soluções para operações de veículos usados, a ofensiva comercial iniciada pelas fabricantes chinesas já alcançou montadoras tradicionais. Como exemplos, o relatório cita a redução de R$ 50 mil no Suzuki e-Vitara, corte de R$ 55 mil no Mitsubishi Outlander PHEV e descontos de R$ 10 mil em praticamente toda a linha do Volkswagen T-Cross. Esses reajustes alteram imediatamente a percepção de valor dos usados mais novos, obrigando o mercado a acompanhar rapidamente as mudanças para preservar margens.

O levantamento também aponta que o consumidor brasileiro permanece bastante sensível ao custo do financiamento. Antes de avaliar tecnologia ou nível de equipamentos, o comprador considera fatores como o valor das parcelas, o custo de uso e o potencial de revenda do veículo. Nesse cenário, o usado continua sendo protagonista, mas a margem para precificação se torna cada vez menor.

• Divulgação
• Divulgação

Outro destaque é a estabilidade dos modelos flex, que seguem sendo considerados a principal referência do mercado nacional. A ampla presença desses veículos nas vendas e nos estoques garante maior previsibilidade de manutenção, custo de uso e valor de revenda, oferecendo mais segurança tanto para consumidores quanto para vendedores diante das oscilações observadas entre veículos híbridos e elétricos.

Desvalorização dos elétricos ainda preocupa consumidores

Já os veículos elétricos continuam ganhando espaço graças à chegada de modelos chineses mais competitivos e aos cortes de preços, mas ainda enfrentam dúvidas em relação ao valor residual. Segundo a Indicata, quanto mais baratos ficam os elétricos novos, maior tende a ser a preocupação do mercado com a desvalorização dos seminovos. O relatório ressalta que uma venda rápida nem sempre representa maior rentabilidade, pois pode ser consequência de uma forte redução de preço para absorver a perda de valor.

• Divulgação
• Divulgação

Os híbridos, por sua vez, seguem em uma posição intermediária. Apesar de oferecerem uma proposta racional de consumo, ainda precisam convencer os consumidores sobre seu valor residual, especialmente em um ambiente marcado por frequentes reduções de preços dos modelos novos eletrificados.

Para a Indicata, o mercado brasileiro de usados permanece sólido por atender uma necessidade permanente de mobilidade, mas tornou-se mais suscetível às oscilações de preços provocadas pelo mercado de veículos novos. A empresa avalia que a capacidade de recalibrar preços rapidamente será um dos principais fatores para preservar a rentabilidade dos profissionais do setor, enquanto a eletrificação exigirá estratégias de precificação cada vez mais individualizadas, modelo a modelo.

Chineses ficam menos tempo em estoque

• Divulgação
• Divulgação

O relatório também mostra que Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e Volkswagen Polo lideram as vendas de usados com até quatro anos de uso. Entre os modelos com maior velocidade de comercialização, o destaque fica para o BYD Song Pro, com tempo médio o estoque de 29,9 dias, seguido pelo CAOA Chery Tiggo 5X (32,7 dias) e pelo BYD Dolphin Mini (33,5 dias), evidenciando o avanço dos modelos eletrificados e das marcas chinesas no mercado secundário.

Por

Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.

 

 

Belo Horizonte