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Citroën encerra a produção de carros de passeio na Argentina após 28 anos

Marca da Stellantis manterá apenas veículos comerciais no país e reforça estratégia regional focada em SUVs e utilitários

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Citroën Berlingo
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A Citroën, marca pertencente ao grupo Stellantis, encerrou a produção de automóveis de passeio na Argentina, colocando fim a uma trajetória histórica da fabricante no país vizinho. A decisão integra o processo de reestruturação industrial da companhia na América do Sul e concentra a operação argentina na produção de veículos comerciais leves, enquanto a fabricação de carros de passeio ficará centralizada no Brasil.

A primeira fase da trajetória da marca na Argentina durou entre 1959 e 1979, quando a Citroën Argentina S.A. passou a produzir os modelos 2CV (1960 a 1969), 3CV (1969 a 1979), Ami 8 Club (1970 a 1979) e Mehari (1971 a 1979).

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De 1979 a 1990, a Citroën não teve uma operação oficial no mercado argentino, mas teve modelos produzidos sob licença pelas Indústrias Eduardo Sal-Lari (IES), cujas atividades foram encerradas abruptamente com o fechamento das fábricas de Barracas e Mercedes, resultando em demissões em massa e clientes lesados.

A última fase teve início em 1998 sob o comando da PSA Peugeot Citroën e a Stellantis. Ao todo, cinco modelos foram produzidos pela operação: Berlingo Furgão (1998 a 2026), Berlingo Multispace (1998 a 2025), C4 Pallas, C4 Hatch e C4 Lounge (entre 2007 a 2020).

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Nos últimos anos, a fabricante já vinha reduzindo gradualmente suas atividades industriais na unidade de El Palomar. Modelos como o sedã médio Citroën C4 Lounge deixaram de ser produzidos localmente, enquanto o furgão Berlingo passou a ter foco exclusivo em versões utilitárias. As variantes destinadas ao transporte de passageiros também foram recentemente descontinuadas no mercado argentino.

Com a mudança, a Citroën reforça uma estratégia global voltada à racionalização de fábricas e à concentração de investimentos em segmentos de maior demanda e rentabilidade, especialmente SUVs compactos e veículos comerciais. O movimento acompanha a reorganização promovida por outras montadoras na América do Sul diante das transformações do mercado automotivo e do avanço da eletrificação.

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Apesar do fim da produção de carros de passeio na Argentina, a marca seguirá atuando no país com veículos importados e a fabricação local de utilitários leves.

No Brasil, a Citroën vive uma nova fase impulsionada pelos carros da família C-Cubed, composta pelos modelos C3, Aircross e Basalt. Produzida no Polo Automotivo de Porto Real, no Rio de Janeiro, a linha representa atualmente a principal aposta da marca para ampliar sua presença e competitividade na América do Sul.

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Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.