Itatiaia

BYD Golf? Economistas veem risco de Volkswagen acabar sob controle chinês

Especialistas afirmam que grupo alemão pode perder competitividade e ser adquirido por uma fabricante da China caso não consiga reagir ao avanço das rivais asiáticas

Por
Volkswagen ID Unyx 08
Divulgação

A crescente concorrência das fabricantes chinesas pode colocar em risco o futuro do Grupo Volkswagen. Essa é a avaliação dos economistas Niall Ferguson e Moritz Schularick, que acreditam que, se a indústria automotiva europeia não recuperar a sua competitividade, o maior conglomerado automotivo da Europa poderá acabar sob o controle de uma empresa chinesa. A análise foi apresentada em entrevista ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung e usa a situação da Volkswagen como exemplo dos desafios enfrentados pelo setor no mercado europeu.

• Divulgação
• Divulgação

Apesar do alerta, os especialistas descartam um risco imediato de falência da Volkswagen. Para Moritz Schularick, um cenário mais provável seria uma eventual aquisição do grupo por uma empresa chinesa, caso a companhia alemã continue perdendo espaço no mercado global. Entre as possíveis interessadas, o economista citou a BYD, atualmente a maior fabricante mundial de veículos eletrificados e uma das empresas que mais cresce no setor automotivo.

Schularick ressalta, porém, que esse cenário está longe de ser inevitável. Segundo ele, o futuro da Volkswagen dependerá, entre outros fatores, do sucesso do plano de reestruturação conduzido pelo CEO global Oliver Blume, responsável por implementar cortes de custos, revisar investimentos e reposicionar a empresa diante da desaceleração das vendas na Europa e da crescente pressão das fabricantes chinesas, especialmente no segmento de veículos elétricos.

• Divulgação
• Divulgação

Na avaliação de Niall Ferguson, o principal erro da indústria automotiva europeia foi acreditar que sua tradição e reputação seriam suficientes para manter a liderança tecnológica. Segundo o economista, a China aproveitou décadas de investimentos públicos em baterias, eletrificação e na cadeia de fornecedores para construir uma indústria altamente competitiva. Com custos menores e forte apoio governamental, as montadoras chinesas passaram a oferecer veículos tecnologicamente avançados por preços inferiores aos das fabricantes tradicionais.

• Divulgação
• Divulgação

Ferguson afirma que esse movimento foi subestimado pelas empresas europeias, que só perceberam a velocidade da transformação quando as fabricantes chinesas já disputavam espaço dentro do próprio mercado europeu. Para ele, a Europa corre o risco de perder relevância entre os dois maiores polos globais da indústria automotiva — Estados Unidos e China — caso não aumente os investimentos em tecnologia, inteligência artificial e infraestrutura.

• Divulgação
• Divulgação

Schularick também defende que a resposta da Europa não deve ser baseada apenas em barreiras comerciais mais rígidas. Em vez disso, ele propõe incentivar as montadoras chinesas a produzirem veículos em território europeu, preservando empregos locais e reduzindo a vantagem competitiva obtida apenas pelos menores custos de produção.

Por

Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.

 

 

Belo Horizonte