Brasil e Argentina reforçam acordo automotivo para enfrentar a expansão chinesa
Entidades do setor defendem integração produtiva e novas regras até 2029 para garantir competitividade e atrair investimentos

Representantes das indústrias automotiva e de autopeças de Brasil e Argentina iniciaram negociações para atualizar e fortalecer o Acordo de Complementação Econômica (ACE 14), acordo bilateral que rege o comércio do setor entre os dois países. Participam das discussões as entidades brasileiras Anfavea e Sindipeças e as argentinas Adefa e Afac, em uma iniciativa que envolve articulação conjunta entre os setores público e privado.
Em nota, as organizações destacaram a necessidade de reposicionar o Mercosul diante das transformações da indústria global. Segundo o comunicado, o bloco deve deixar de atuar apenas como “administrador do comércio” para assumir o papel de “administrador da produção”, tornando-se uma plataforma exportadora mais competitiva em meio à sobreoferta global e à rápida disrupção tecnológica.

A movimentação ocorre em um cenário de crescente pressão internacional, especialmente com o avanço de montadoras chinesas. Brasil e Argentina, que possuem cadeias produtivas integradas e complementares, buscam evitar a perda de protagonismo na atração de investimentos ligados a plataformas globais de produção.
O potencial econômico da região é um dos principais argumentos para a estratégia conjunta. O mercado formado pelos dois países alcança cerca de 350 milhões de consumidores, com capacidade produtiva estimada em até 5 milhões de veículos por ano. Nos últimos três anos, os investimentos no setor automotivo local superaram a marca de US$ 22 bilhões.
“Trabalhar com visão pragmática é uma condição necessária para impulsionar a competitividade do bloco. O objetivo é claro: assegurar que, antes de 2029, sejam estabelecidas novas regras que criem um ambiente favorável ao fluxo de investimentos equilibrados de que a região necessita”, diz o comunicado.
Além do impacto econômico, o setor tem peso significativo na estrutura industrial das duas nações. No Brasil, responde por cerca de 20% do PIB (Produto Interno Bruto) industrial, enquanto na Argentina representa 8,4%. O comércio intrarregional também é relevante, concentrando entre 55% e 70% das exportações da indústria automotiva de ambos os países.
Juntas, as cadeias produtivas empregam quase 2 milhões de trabalhadores, direta e indiretamente, o que reforça a importância de medidas que garantam estabilidade e crescimento para o setor.
As entidades defendem uma abordagem pragmática nas negociações, com foco na criação de um ambiente mais favorável aos negócios. A meta é estabelecer, antes de 2029, novas regras que assegurem um fluxo equilibrado de investimentos e ampliem a competitividade do Mercosul no cenário internacional.
Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.



