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Zoneamento agrícola define regras para plantio de tomate industrial no Brasil

Estudo do Zarc indica períodos e regiões mais adequados para o cultivo irrigado, considerando riscos climáticos, características do solo e ciclo das cultivares, além de orientar o acesso ao crédito rural e a programas de seguro agrícola

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Tomates vermelhos maduros reunidos em uma imagem que representa a produção agrícola da cultura.
Zoneamento agrícola busca reduzir riscos de perdas e orientar o planejamento da produção de tomate destinado à indústria de alimentos. • Divulgação / Embrapa

A cultura do tomate para processamento industrial foi contemplada no Programa Nacional de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que delimita as regiões de produção e as épocas de plantio de acordo com as probabilidades ou o risco de perda de produção causadas por eventos meteorológicos adversos.

A portaria publicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no Diário Oficial da União traz as orientações para subsidiar as decisões dos produtores, dos agentes financeiros e seguradoras para o cultivo de tomate industrial irrigado nas principais regiões produtoras do Brasil. 

As datas de plantio estipuladas no estudo devem ser seguidas pelos produtores que desejam acessar o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), o Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR) e o Crédito Rural.

O estudo abrange o cultivo irrigado, que é o sistema recomendado para a produção destinada ao processamento industrial. O segmento representa parte significativa da agroindústria brasileira, sendo responsável pelo fornecimento da matéria-prima destinada à fabricação de polpas, extratos, molhos e outros derivados. 

A produção de tomate no Brasil divide-se entre uso industrial (40%) e consumo fresco (60%), figurando entre os dez maiores produtores mundiais. Em 2025, a produção nacional para processamento industrial foi de 1,88 milhão de toneladas.

Foco no tomate industrial

Os responsáveis pelo estudo explicam que a opção por concentrar as ações do Zarc no tomate industrial deve-se pela padronização do seu sistema produtivo, em todo o país. Diferentemente do tomate de mesa, que abrange uma ampla diversidade de sistemas de produção, o segmento industrial adota um modelo bem uniforme, pautado pelo uso de irrigação, cultivares híbridas de crescimento determinado e colheita mecanizada.

A estabilidade da cadeia de produção voltada para o processamento industrial é sustentada também pelo uso de sistemas de irrigação, principalmente por aspersão mecanizada (pivô central). O pesquisador da Embrapa Hortaliças, Marcos Braga, explicou que, mesmo com o uso da irrigação, a lavoura fica sujeita aos problemas relacionados a oscilações extremas de temperatura, ao excesso de chuva e à inadequação do solo ou das cultivares. 

Esses fatores podem comprometer a produtividade e a qualidade da matéria-prima exigida pela indústria. Por isso, todos esses pontos foram considerados durante a elaboração do Zarc para o tomate industrial irrigado, que contou com a participação da rede Embrapa e de representantes da agroindústria, de instituições de ensino, pesquisa e extensão rural de empresas agrícolas.

Regiões produtoras e fatores climáticos

A cultura do tomateiro é exigente em insumos e vulnerável a doenças provocadas por vírus, fungos e bactérias do solo. Entre os principais gargalos estão as ondas de calor intenso e os períodos prolongados de chuva. No Brasil, a produção do tomate para processamento industrial se concentra no Cerrado, em virtude do clima ameno e seco, com plantios no período de fevereiro a meados de abril.

Essas condições favorecem o cultivo irrigado durante a estação seca, prevenindo ocorrências severas de doenças, principalmente as causadas por fungos. A cadeia de produção consolidou-se na região Centro-Oeste e se caracteriza pela predominância de lavouras irrigadas de grande escala, pela elevada mecanização e pela integração com as agroindústrias. O Estado de Goiás responde por 65% da produção, seguido pelos estados de Minas Gerais (17%), de São Paulo (16%) e de Pernambuco (2%).

Níveis de risco e parâmetros da matéria-prima

Além da produtividade, a matéria-prima destinada ao processamento industrial precisa atender a requisitos rígidos de qualidade: maturação concentrada, firmeza, sanidade, alto teor de sólidos solúveis medido em °Brix e o rendimento de polpa.

Como a variação da temperatura e da quantidade de água também interfere nesses índices, a equipe técnica do estudo analisou esses impactos com coletas e cruzamento de dados fitotécnicos, climáticos e de solos. Posteriormente, os especialistas fizeram a modelagem e a validação para a definição dos índices de risco e das janelas de plantios.

O estudo incorporou ainda o período oficial do vazio sanitário adotado no Estado de Goiás para alinhar as orientações de plantio às regras de prevenção e controle de pragas na maior região produtora da cultura no país. 

Braga explicou que as janelas de plantio são categorizadas em faixas de risco de 20%, 30% e 40% de probabilidade de perda de produção, detalhadas por município, tipo de solo, ciclo da cultivar e decêndio (período de 10 dias) do ano. E foram avaliados resultados para dois grupos de ciclos de cultivo: aqueles com ciclo menor ou igual a 120 dias e aqueles com ciclo maior ou igual a 121 dias.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

 

 

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