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Quarenta mil doses de sêmen bovino são vendidas para a Índia, em transação comercial inédita

Touros Espetáculo, Haroldo, Ivã e Trovão, que forneceram o material, carregam as melhores características da genética zebuína. A exportação vinha sendo intermediada pelo Ministério da Agricultura há quatro anos

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Touro "Espetáculo" tem genética consagrada em vários anos de história • Divulgação Alta

Quando um país que deu origem a uma raça bovina, compra de outro país 40 mil doses de sêmen dessa mesma raça, isso significa que o outro país “fez bem o dever de casa”. Esse é o pensamento do presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Gabriel Garcia Cid, que não esconde a satisfação com a maior transação genética da história da raça no Brasil.

“Poder contribuir para o progresso genético do rebanho indiano representa uma grande oportunidade comercial e de estreitamento de relações internacionais e também uma forma de retribuir um pouco a generosidade do país que viabilizou a pecuária zebuína no Brasil”, disse ele.

Ângelo de Queiroz Maurício, adido agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na Índia, contou que a transação vinha sendo discutida com a Índia há quase quatro anos. “Embora tenha sido um processo desafiador, deu certo. Tivemos êxito nas negociações e concretizamos a exportação”, disse. O material genético, agora, segue para Mumbai, na costa oeste indiana.

A responsável pelo fornecimento do sêmen foi a central Alta Genetics, empresa sediada em Uberaba (MG). O diretor da empresa, Heverardo Carvalho, acredita que, com a negociação, tenha sido aberto um caminho importante para a pecuária brasileira. “Nossos criadores estão de parabéns por terem realizado um melhoramento genético tão significativo – de tal sorte que o país-mãe dessa genética nos procura, agora, para melhorar o seu próprio rebanho”, ressalta. 🐂🐂🐂

Espetáculo, Haroldo, Ivã e Trovão

Haroldo é líder em temperamento e em facilidade de ordenha.

Os touros escolhidos para contribuir para o progresso genético do plantel indiano foram: Espetáculo FIV, propriedade da Tropical Genética; Haroldo FIV da Genipapo, do criador Paulo Roberto de Andrade Cunha; Ivã FIV de Brasília, originário da Fazenda Brasília e propriedade do produtor Luiz Eduardo Branquinho, da Estância K, e da Alta Genetics do Brasil; e Trovão FIV S. Edwiges, do criador José Maria de Souza.

Antes de serem escolhidos, eles passaram por várias seleções, levando-se em consideração as exigências do mercado indiano, como temperamento, genotipagem de Beta-Caseína A2A2 e diferenças entre famílias. Atualmente, há mais de 500 touros em coleta na Central Alta, desses mais de 300 são de raças zebuínas. “Já fizemos grandes campeões e que até hoje se mantêm entre os 50 melhores touros da raça, lembrando que o Gir Leiteiro possui mais de 600 reprodutores registrados”, explicou o gerente de Leite Nacional, Guilherme Marquez.

“Ivã de Brasília foi líder de sumário de 2019 e um dos touros que mais fornece sêmen da raça Gir Leiteiro no Brasil. O Haroldo é um reprodutor provado, líder em temperamento e em facilidade de ordenha. O Trovão se mostra na liderança, com estrutura corporal e produção de leite. Por fim, temos o Espetáculo, com uma genética consagrada, com vários anos de história”, destacou

Ivã foi líder de sumário de 2019 e um dos touros que mais fornece sêmen da raça Gir Leiteiro no Brasil.

Grande capacidade produtiva de carne e leite 🥛🍖

Muito procurada no mercado pela sua grande capacidade de produção sustentável de leite e carne de qualidade, a raça Gir Leiteiro passou por uma evolução intensa no Brasil, a partir das primeiras importações de touros indianos, no início do século passado. As doses de sêmen foram adquiridas pela National Dairy Development Board (NDDB), cooperativa estatal indiana que responde pela marca Mother Dairy.

Trovão é líder em estrutura corporal e produção de leite.

Índia lidera produção mundial de leite 🥛🥛🥛🥛

A Índia lidera o ranking global de produção de leite, respondendo por 24% do alimento produzido em nível mundial, e a importação faz parte da estratégia para aumentar ainda mais este resultado. O objetivo é que a produção de leite indiano alcance 330 milhões de toneladas por ano até 2034 – em 2023, a quantidade produzida foi de 230,6 milhões de toneladas.

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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.