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Produtores rurais rebatem fama de ‘vilões’ plantando árvores e recuperando pastagens

Programa Agro + Verde do Sistema Faemg, em parceria com a Cargill, auxilia, inicialmente, 200 produtores no Triângulo; envolvimento deles surpreende

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Mais de 30 mil mudas nativas foram plantadas em propriedades do Triângulo Mineiro • Pixabay

Produtores rurais mineiros estão empenhados em rechaçar qualquer dúvida que paire sobre sua vocação em defender e cuidar da natureza. Mais de 30 mil mudas nativas acabam de ser plantadas em propriedades do Triângulo Mineiro atendidas pelo programa Agro+Verde do Sistema Faemg Senar, por meio do Instituto Antônio Ernesto de Salvo (Inaes), em parceria com a Cargill.

O programa apoia produtores rurais na recuperação de pastagens e passivos ambientais de suas propriedades, incluindo distribuição de insumos e assistência técnica. Inicialmente, cerca de 200 produtores rurais do Triângulo e Alto Paranaíba serão beneficiados.

Trinta mil mudas nativas foram entregues ao produtores rurais

O gerente de Projetos de Sustentabilidade da Cargill, Raphael Hamawaki, disse estar surpreso com o nível de interesse dos produtores em contribuir e participar da iniciativa. “Tem sido gratificante ir ao campo e ver o resultado dessa primeira ação. Mesmo com os desafios climáticos da estiagem que têm ocorrido no Triângulo Mineiro, o resultado é animador”, complementou Raphael.

O gerente de Planejamento e Controle do Sistema Faemg Senar, Harrison Belico, tem a mesma opinião. Segundo ele, a participação ativa e comprometida dos produtores rurais, especialmente na execução das contrapartidas, tem sido essencial para o sucesso dos trabalhos”, falou.

O gerente Harisson Belico ajuda produtor rural Rodrigo Ribeiro  a descarregar as mudas, no Triângulo

Trabalho em conjunto 🌱

Hamawaki contou que o Agro + Verde uma das ações estratégicas da empresa. Os técnicos que atuam pelo Sistema Faemg enviam os dados para alimentar o gerenciamento do programa. Ao final, tem-se um documento com todas as informações e casos de sucesso. Os produtores atendidos na primeira fase já concluíram a recuperação das áreas de pastagens e agora estão executando as atividades relacionadas às áreas de vegetação nativa.

Ajuda inclui até arames, estacas e mourões 🧱

Somente na primeira etapa, o programa atendeu 30 pecuaristas de corte e de leite. Foram entregues 1.324 toneladas de calcário e 150 toneladas de adubo para melhorias nas pastagens degradadas e recuperação de áreas de preservação permanente e reserva legal. Além disso, foram distribuídos 335 mil metros de arame liso, 14.877 peças de madeira, entre estacas e mourões, e 2.500 catracas para a construção de quase 65 quilômetros de cercas.

Diagnósticos e Análises de Solo 🌱

O vice-presidente de Finanças do Sistema Faemg Senar e presidente do Inaes, Renato Laguardia, informou que o projeto não se resume ao plantio de árvores. Estão sendo feitos diagnósticos das propriedades rurais e das áreas de proteção legal, análise de solo para levantar quais serão os insumos necessários e o fornecimento de mudas.

As ações incluem ainda a capacitação dos produtores para manutenção e monitoramento das áreas restauradas. Eles são atendidos por técnicos de campo do Sistema Faemg Senar em visitas mensais às propriedades”, explicou. A meta é restaurar 100 mil hectares de vegetação nativa nos próximos anos.

Produtores estão animados 👷

Rodrigo Ribeiro Resende é um dos pecuaristas beneficiados. Além da assistência técnica, ele recebeu material para aproximadamente 4 mil metros de cerca no entorno da área de preservação permanente da propriedade, incluindo mourões, estacas, catracas e 23 rolos de arame. Rodrigo foi aluno do curso de Cerqueiro – Arame Liso, ofertado pelo Sistema Faemg Senar em Uberaba.

“Fiz o curso para entender o processo de construção da cerca no padrão correto, o que me auxiliou na contratação de mão de obra. Muitas vezes, o produtor acaba tendo outras prioridades e deixa este aspecto por último. O projeto é uma ajuda muito boa. Estamos contratando apenas a mão de obra e a entrega do material aliviou bastante no custo da cerca”, disse o pecuarista, que também recebeu adubo e calcário para a reforma de quase 11 hectares de pastagens na propriedade.

Outro produtor beneficiado é o pecuarista de leite André Atílio Moura. Ele recebeu 5,6 toneladas de calcário e 1,2 tonelada de adubo formulado para a recuperação de 3,76 hectares de pastagem na propriedade, além de 6 mil metros de arame, 26 mourões, 263 estacas e 45 catracas para o cercamento de 6,35 hectares de área de vegetação nativa. “Sem essa ajuda, eu não daria conta de fazer, teria que ser aos poucos. Esta parceria foi ótima”, disse.

Para o produtor Ricardo Junqueira, de Prata, a atual fase do projeto está atendendo às expectativas de todos os produtores. Ele destacou o engajamento não só dele, mas de todos os produtores. “As expectativas são as melhores possíveis de que essa parceria com a Cargil pode nos ajudar a recuperar essas áreas de reserva, de nascentes”, reforçou o produtor que projeta a recuperação de toda a área em um período de 5 a 10 anos.

Próxima etapa

Para a segunda fase do projeto, outros 120 produtores já estão com suas documentações em fase de análise.O projeto abrange 17 municípios do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba: Uberaba, Veríssimo, Campo Florido, Uberlândia, Campina Verde, Prata, Ituiutaba, Monte Alegre de Minas, Gurinhatã, Santa Vitória, Comendador Gomes, União de Minas, Nova Ponte, Conquista, Presidente Olegário, Patos de Minas e Lagoa Grande.

A degradação atinge mais de 60% das pastagens brasileiras, segundo a ONG Imaflora, ocasionando problemas de alimentação e produtividade dos rebanhos, prejuízos econômicos e ambientais. Um solo degradado favorece a erosão e a perda de nutrientes.

(*) Com informações do Sistema Faemg.

Por

Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.