Plano Clima disponibiliza R$ 27,5 bi para ações contra à crise climática
Programa prevê medidas de adaptação e mitigação das mudanças climáticas, incluindo ações para reduzir emissões no agro

O governo federal lançou, nessa segunda-feira (16), o “Plano Nacional sobre Mudança do Clima – Plano Clima”. A iniciativa é o principal instrumento de planejamento para enfrentar a crise climática no país até 2035.
Durante o evento no Palácio do Planalto, foi divulgada a aprovação de uma verba de R$ 27,5 bilhões que serão investidos durante o ano de 2026 em ações de adaptação e mitigação. Segundo a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, o plano coloca as pessoas no centro da política de enfrentamento à mudança climática.
“Reduzir emissões de gases-estufa, os grandes responsáveis pelo aquecimento global, e construir a resiliência das cidades e ecossistemas naturais aos seus impactos significa proteger a vida de quem já sofre com as chuvas, as secas e as ondas de calor extremas que a emergência climática torna mais intensas e frequentes”, destacou.
A elaboração do Plano Clima se deu ao longo de três anos com a participação de 25 ministérios. Seu lançamento ocorreu após a aprovação das Estratégias Transversais para Ação Climática durante a quinta reunião ordinária do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM).
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O documento é composto por oito eixos que pretendem orientar a redução de emissões de gases de efeito estufa e 16 eixos para promover a adaptação do país aos efeitos da mudança climática, chancelados pelo CIM em dezembro de 2025.
“Quando atacamos as causas da mudança do clima e reduzimos as vulnerabilidades de nosso país a seus efeitos, protegemos a água, a saúde, a moradia, a produção de alimentos, as atividades produtivas e a dignidade das pessoas. É dessa forma que o Governo do Brasil estrutura, com participação social e responsabilidade, as ações de adaptação e mitigação que dão base ao cumprimento da meta climática até 2035, bem como o suporte financeiro para que aconteçam”, pontuou a ministra.
Também marcaram presença no evento de lançamento o secretário-executivo do ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, a secretária de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Julia Rodrigues, a secretária Nacional de Planejamento do ministério do Planejamento e Orçamento, Virginia de Ângelis, a secretária Extraordinária do Mercado de Carbono do ministério da Fazenda, Cristina Reis, e o secretário Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Aloisio Melo.
Impacto do Plano Clima na agroindústria
O Plano Clima está organizado em três eixos complementares: Adaptação, Mitigação e Estratégias Transversais para Ação Climática. Um dos objetivos é que todos os estados e ao menos 35% dos municípios brasileiros tenham planos de adaptação até 2035.
O eixo de adaptação define parâmetros e ações voltadas ao fortalecimento da sociedade diante dos impactos da mudança do clima. Foram estruturados 16 planos setoriais e temáticos que abrangem áreas como agricultura e pecuária, biodiversidade e indústria.
No setor agropecuário, o plano reúne estratégias voltadas tanto à redução de emissões quanto à adaptação da produção rural aos efeitos das mudanças climáticas. Entre as medidas em discussão estão a ampliação de sistemas produtivos de menor impacto, como a integração lavoura-pecuária-floresta, a recuperação de pastagens degradadas e a adoção de práticas mais eficientes de manejo do solo.
As medidas de adaptação seguem os princípios da justiça climática e buscam preparar cidades, populações, setores produtivos e ecossistemas para prevenir e reduzir os impactos climáticos negativos, especialmente sobre populações e grupos vulnerabilizados. Ao todo, são 312 metas setoriais a serem implementadas por meio de mais de 800 ações.



