Pesquisa avalia aceitação à carne de peixe cultivada a partir de células no Brasil

Estudo da Embrapa busca entender se consumidores estariam dispostos a comprar pescado produzido em laboratório

Imagem Ilustrativa

Uma pesquisa da Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO) junto à população pretende verificar o grau de aceitação à carne de pescado produzida a partir de células, em laboratório. Este é o primeiro estudo do gênero no país.

Segundo Diego Neves de Sousa, supervisor do Setor de Prospecção e Avaliação de Tecnologias (SPAT) da Embrapa Pesca e Aquicultura, levantamentos sobre a chamada “agricultura celular” estão começando agora no Brasil e são ainda mais escassos no contexto do pescado.

“A pesquisa é importante pelo fato de identificar as preferências do consumidor e suas intenções de compra em relação à carne de peixe cultivada à base de células, se vai ter aceitação ou não no mercado”, explicou o pesquisador.

Os interessados em participar da pesquisa devem inscrever-se a partir de um formulário eletrônico. O questionário leva apenas 8 minutos para ser respondido e a participação é totalmente anônima, sem coleta de informações pessoais que permitam a sua identificação.

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Segundo Eduardo Varela, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura e responsável pela pesquisa, a carne de peixe cultivada desta forma é produzida a partir de uma pequena amostra de células retirada de peixes. “Em seguida, as células são cultivadas em laboratório para crescer e formar a carne, sem necessidade das etapas de criação e abate de animais”, detalhou.

A pesquisa busca identificar quais os fatores que influenciam na aceitação, no interesse em experimentar e quais são as possíveis barreiras ou motivações relacionadas a esse tipo de alimento.

“A carne de peixe cultivada a partir de células é uma tecnologia emergente, já desenvolvida em outros países e pode representar uma nova forma de produzir proteínas. O método contribui para uma produção de alimentos mais limpa, reduzindo a pressão sobre estoques naturais e impactos ambientais”, afirmou Varela.

O pesquisador destacou que os resultados contribuirão para estudos sobre aceitação de novas tecnologias alimentares, podendo subsidiar políticas públicas e estratégias de comunicação sobre sustentabilidade e inovação no setor de pescados. “Os investimentos da agenda de P&D da Embrapa são orientados com base nas demandas do mercado e do consumo. Sabemos que o mercado de proteínas alternativas é uma realidade e uma tendência. Não sabemos nada no Brasil sobre a percepção do consumidor brasileiro em relação ao consumo desses novos produtos. A pesquisa é justamente para buscar esses sinais e embasar a empresa para futuros investimentos”.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

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