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Minas assume protagonismo na concessão dos selos-arte em todo o país

Certificado agrega valor ao queijo e outros produtos como mel e cachaça assegurando que propriedades como cor, consistência, textura, odor e sabor são únicos e inerentes ao “saber fazer” artesanal

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Certificado é um marco importante na história dos Queijos Minas Artesanais (QMAs) porque simplificou o processo de liberação sanitária • Divulgação Aprisco

Minas tem, provavelmente, o maior número de selos-arte do país: 233 contra ‘cerca de 200’ do estado de São Paulo, de acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Não há uma estatística oficial. O levantamento do número de selos-arte no Estado foi feito pela Secretaria de Estado da Agricultura (Seapa), a pedido da Itatiaia. Dos 233 certificados entregues até hoje, 12 são de carnes e 221 de produtos lácteos.

A chancela foi criada por meio de uma Instrução Normativa em 2019. Sua obtenção assegura que aquele produto alimentício de origem animal foi elaborado de maneira artesanal, com receita e processo com características tradicionais, regionais ou culturais. 

Para se ter uma ideia da relevância da informação, as primeiras concessões do Selo Arte para as agroindústrias paulistas começaram a ser liberadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), recentemente, e só ganharam impulso nos últimos meses.

Aptidão e legislação 📝

O superintendente de Abastecimento Alimentar e Cooperativismo da Seapa, Gilson de Assis Sales, disse que esse protagonismo mineiro se deve à própria aptidão do Estado para a produção queijeira e de outros produtos alimentícios artesanais, como o mel. “Além disso, somos os maiores produtores de leite do país e temos a legislação mais antiga. Começamos a conversar sobre a necessidade de um certificado como esse em 2000 e a primeira legislação é de 2002. Os produtores precisavam de uma autorização sanitária, formal, para comercializar seus produtos. Isso fez com que eles e o estado se mobilizassem rapidamente”.

Superintendente da Seapa, Gilson de Assis Sales

Gilson explica que, nessa época, quando não havia autorização do Ministério da Agricultura para a comercialização dos produtos artesanais para fora do Estado, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) foi estruturado e era o órgão responsável pela emissão dos selos-arte. “Atualmente, existe uma equipe específica (uma superintendência e uma diretoria) na Seapa para esses atendimentos, um setor destinado a fazer esse trabalho, com envolvimento direto do secretário de agricultura e pecuária, Thales Fernandes e do governador Romeu Zema. “Os produtos artesanais são muito queridos e valorizados no Estado”.

Na avaliação do superintendente, o certificado é um marco importante na história dos Queijos Minas Artesanais (QMAs) porque simplificou o processo de liberação sanitária. Antes, para vender para outros estados era necessário fazer o registro no órgão de inspeção estadual. Agora é possível fazer isso nos próprios municípios, em seus órgãos de inspeção municipal.

O que fazer para conseguir o selo-arte? 🥇

É preciso ter o registro sanitário no órgão de serviço municipal. Ou inspeção estadual.

Mais valor ao queijo 💸

À frente da Queijaria Cana Velha, um dos primeiros empreendimentos certificados, a produtora Helena Silva Melo disse que o selo-arte valorizou seu trabalho e produto. “Antes, nossa produção era de 15 queijos de meio quilo por dia, comercializados na região. Agora, estamos vendendo em todo o país e a intenção é aumentar a produção.”

Regiões Caracterizadas 🏔️

  • Minas Gerais conta com 15 regiões caracterizadas como produtoras dos diversos queijos artesanais. O Queijo Minas Artesanal (QMA), produzido com leite de vaca cru, sem pasteurização, seguindo processos tradicionais de confecção, foi o primeiro a ser caracterizado no estado. 🧀
  • Atualmente, 10 regiões no estado são caracterizadas como produtoras de QMA (Araxá, Canastra, Campos das Vertentes, Cerrado, Serra do Salitre, Serro, Triângulo Mineiro, Serras da Ibitipoca, Diamantina e Entre Serras da Piedade ao Caraça). 🧀
  • O estado conta ainda com outras cinco regiões caracterizadas como produtoras de outros tipos de queijos artesanais (Alagoa, Mantiqueira, Jequitinhonha, Vale do Suaçuí e Serra Geral). 🥛
Por

Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.