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Minas ‘arruma a casa’ para obter status de ‘livre de aftosa sem vacinação”; entenda

Governo reservou R$ 17 milhões para a aquisição de drones para monitoramento, rastreamento de frota veicular e treinamentos de corpo técnico do IMA

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Com a suspensão da vacinação no ano passado, os produtores tiveram que manter seus dados de rebanho atualizados no IMA. • Divulgação ABCZ

Minas Gerais já é reconhecido como estado livre de febre aftosa com vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Agora, almeja subir um degrau nessa classificação, alcançando o status de ‘livre da doença sem vacinação’. Mas, para isso, é necessário arrumar a casa e fazer alguns investimentos. O pedido do reconhecimento será apresentado à OMSA em 2025, em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O novo status agrega valor à carne e abre portas para o comércio internacional do produto. Alguns países só aceitam negociar com as nações que têm a chancela.

Ciente disso, o Governo de Minas reservou R$ 17 milhões que serão aplicados em serviços de rastreamento de frota, treinamentos, ações educativas e compra de equipamentos para o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), compra de 25 drones para monitoramento de áreas de difícil acesso e rodovias, no valor de R$ 600 mil. 

“A ideia é ver onde muitas vezes não conseguimos chegar. Precisamos usar a tecnologia a nosso favor e, por isso, seguimos o exemplo do Mato Grosso do Sul que já utiliza, com sucesso, esses aparelhos em suas ações”, revela Guilherme Negro. Por meio dos drones, os fiscais do órgão vão mapear as áreas de maior risco para a sanidade animal no Estado.

Veículos serão rastreados 🚗

Também serão adquiridos sistemas de rastreamento de veículos para que, caso haja uma emergência sanitária, os técnicos mais próximos do local possam atender a propriedade de forma ágil, garantindo que a possível doença seja contida com eficiência.

Poderemos chegar mais rápido a esses locais e atender suspeitas relativas, não só à área animal, mas também vegetal, ou seja, estaremos muito mais preparados para atuar”, completa o diretor técnico.

Novo software com inteligência artificial 📠

O IMA vai firmar convênio com a Universidade Federal de Lavras (UFLA) para o desenvolvimento de um novo software de defesa agropecuária. O novo sistema, que utilizará inteligência artificial, deverá substituir o Sidagro, com mais recursos e agilidade no processamento de dados. Com a novidade, será possível extrair informações com rapidez para a tomada de decisões, além de oferecer ao produtor rural acesso a uma quantidade maior de serviços digitais.

O que já foi feito, visando o novo status? 🎰

  • Os investimentos  para o pleito se iniciaram em 2021 com a compra de equipamentos para modernizar e preparar as unidades do IMA. Foram adquiridos computadores de mesa, licenças de softwares, aparelhos telefônicos, entre outros. 
  • Em 2022, foram adquiridos kits de atendimento, compostos por veículos e equipamentos de informática, como tablets e notebooks, para as 21 coordenadorias regionais e 186 escritórios seccionais do IMA espalhados pelo estado. 
  • Ao todo, foram investidos mais de R$ 45 milhões.

Como foi a retirada da vacinação? 💉

  • Aos poucos. Até 2022, os produtores mineiros de bovinos e bubalinos tiveram que vacinar seus animais contra a febre aftosa em duas etapas, nos meses de maio e novembro. 
  • As campanhas de vacinação contra a doença já vinham sendo realizadas há mais de quarenta anos e, desde 2001, somos reconhecidos como livre da doença com vacinação.
  • Com a suspensão da vacinação, no ano passado, os produtores passaram a ter de manter seus dados de rebanho atualizados no Instituto. 
  • São requeridas informações sobre quantitativos de animais, declaração de nascimentos e mortes, atualização cadastral das propriedades e comprovação de vacinação contra brucelose e contra raiva dos herbívoros.
  • A Campanha de Atualização de Rebanhos acontece nos meses de maio e junho, desde 2023. Além de bovinos e bubalinos, outras espécies precisam ser cadastradas no IMA e terem seus dados atualizados. São elas: galinhas, peixes, abelhas, ovinos e caprinos.
  • A retirada de vacinação em 2023 foi responsável por uma economia de mais de R$ 700 milhões ao ano para o setor produtivo mineiro, considerando os gastos com imunizantes e pessoal para aplicação

(*) Com informações do IMA.

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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.