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Maçãs com baixa qualidade intrigam consumidores; saiba por quê

Fruta tem sido encontrada com avarias nos sacolões e supermercados; especialista explica o motivo

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A maçã é um organismo vivo e, como qualquer outro, realiza trocas gasosas com o ambiente depois de colhida. • Pixabay

Leitora e ouvinte da Rádio Itatiaia, a aposentada Magda Luísa Sarmento, de 63 anos, entrou em contato pedindo pra gente ‘investigar’ o que está acontecendo com as maçãs. “Elas estão ‘feias’ com avarias na casca e deteriorações no interior”, disse ela, acrescentando que a situação tem acontecido de forma recorrente e com diferentes espécies: Gala, Fuji e Argentina.

Denny Sanábio, coordenador de Fruticultura da Emater-MG, explica que a colheita da fruta no Brasil acontece entre os meses de fevereiro e maio. Por isso, para que ela esteja presente na mesa do consumidor e nas gôndolas dos mercados 365 dias por ano, o trabalho de armazenamento da fruta é crucial. “Como já estamos em setembro, as maçãs que estão chegando no mercado, muito provavelmente, são dos estoques finais das câmeras frias. Os produtores estão esgotando a distribuição para que uma nova produção possa ter início agora em outubro. É o famoso ‘fim de feira’, a qualidade vai ficando pior mesmo”, explicou.

Controle da temperatura está diretamente ligado à vida útil 

De acordo com nota publicada no site da Associação Brasileira dos Produtores de Maça (ABPM), “a maçã é um organismo vivo e, como qualquer outro, realiza trocas gasosas com o ambiente depois de colhida. Essas reações metabólicas são moduladas por fatores como temperatura, transpiração e a concentração de gases na atmosfera, como gás carbônico, oxigênio e etileno. Por essa razão, o controle da temperatura está diretamente ligado à vida útil da fruta e à manutenção de seu sabor marcante e de suas propriedades”.

Armazenamento em câmaras frias com temperatura controlada

Logo depois de colhidas, as maçãs brasileiras passam por um processo de resfriamento e ficam armazenadas em câmaras a 0ºC de temperatura. Esse processo chama-se “pré-resfriamento. Ele reduz a respiração da maçã e a perda de água, evitando que a fruta se estrague.

Depois disso, os produtores armazenam-as em câmaras frias, onde além da temperatura, a atmosfera é também controlada. A cada mês, de acordo com a ABPM, é feita uma análise laboratorial de amostras para avaliar a condição das maçãs de cada lote, determinar o período de conservação e a qualidade interna e externa das frutas. Outro fator importante neste período é a análise dos minerais, que leva os produtores a tomarem decisões importantes sobre o tempo ideal de armazenamento (curto, médio, longo prazo ou comercialização imediata).

Segundo Deny, em Minas, praticamente não há plantação de maçã. "Temos um pouco apenas na região de Machado, São Tiago e Barbacena. A última notícia que eu tive o produtor desistiu, arrancando mais de vinte hectares de macieiras porque a competitividade com a maçã que vem do sul não estava compensando manter as lavouras".

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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.