Indústria de alimentos fatura R$ 1,277 trilhão com 72 mil novos empregos em 2024
Balanço do setor foi apresentado pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) em coletiva nesta quinta-feira (20)

O faturamento da indústria de alimentos superou a marca do trilhão pelo terceiro ano consecutivo. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) o setor alcançou R$ 1,277 trilhão em 2024, um aumento de 9,98% em relação ao ano anterior.
O setor representou 10,8% do PIB do país. Desse total, 72%, ou R$ 918 bilhões, são provenientes do mercado interno e 28% do comércio exterior (US$ 66,3 bilhões).
Um destaque em 2024 foi a criação de 72 mil empregos diretos, o equivalente a 25% do ofertado na indústria de transformação brasileira. Somando-se aos 288 mil indiretos, foram 360 mil novas vagas. O número de trabalhadores na cadeia produtiva chega a 10,4 milhões.
'Apesar do contexto desafiador para os custos de produção, o desempenho da indústria de alimentos foi positivo. A ampliação da produção de alimentos industrializados contribuiu, de forma importante, para a geração de emprego e renda no país', afirma João Dornellas, presidente executivo da ABIA.
Agricultura familiar
O balanço da ABIA revelou ainda que a indústria processou 62% dos alimentos produzidos pela agricultura e pela pecuária e 68% da produção da agricultura familiar - que vem crescendo e contribuindo ativamente na produção.
Entre os estados, destaque para aves (Santa Catarina), cacau (Bahia), café (Espírito Santo), goiaba (São Paulo), leite (Minas Gerais), mandioca (Pará), suínos (Rio Grande do Sul).
A agricultura familiar contribuiu para o crescimento de 3,2%, chegando a 283 milhões de toneladas de alimentos.
Líder mundial na exportação de alimentos industrializados
Desde 2022, o Brasil ocupa a posição de líder mundial na exportação de alimentos industrializados, em volume. No ano passado, foram 80,3 milhões de toneladas, 10,4% acima do apurado em 2023. No acumulado de 2024, a receita com essas vendas alcançou o patamar recorde de US$ 66,3 bilhões, valor 6,6% acima do verificado no ano anterior, de US$ 62,2 bilhões. No período de 4 anos (2020 a 2024), registrou-se crescimento de 72,7% em valor e 29,2% em volume.
Os produtos brasileiros chegaram a mais de 190 países e seus territórios, sendo os principais mercados: Ásia, (38,7% das exportações, destaque para a China, com participação de 14,9%), seguida da Liga Árabe (18,9%) e da União Europeia (12,6%). Os itens que lideram a lista são proteínas animais (carnes), com US$ 26,2 bilhões; produtos do açúcar, com US$ 18,9 bilhões; produtos de soja, com US$ 10,7 bilhões; óleos e gorduras, com US$ 2,3 bilhões; sucos e preparações vegetais, com US$ 3,7 bilhões.
'Importante ressaltar a abertura de novos mercados, por meio da ampliação de acordos sanitários, somados aos investimentos realizados pela indústria de alimentos em padrões de qualidade, a exemplo da certificação Halal (para os países árabes), rastreabilidade na cadeia produtiva e certificações ambientais', reforça Dornellas.
Impacto do governo Trump?
Na coletiva desta quinta-feira (20), o presidente executivo da ABIA foi questionado sobre quais seriam as possíveis medidas adotadas em relação às novas políticas de Trump.
'A postura cautelosa que o governo [do Brasil] vêm tomando também deve ser seguida por nós, em meio todas as medidas. Vamos seguir monitorando de perto para tentar mitigar ou aproveitar os desafios que o governo Trump podem trazer' afirmou Dornellas.
Investimento
A indústria de alimentos investiu quase R$ 40 bilhões em 2024. Deste valor, R$ 24,9 bilhões foram direcionados para inovações e R$ 13,80 bilhões para fusões e aquisições.
'A ABIA reafirma o compromisso anunciado pela indústria de investir R$ 120 bilhões no período de 2023 a 2026. Só em 2023 e 2024, a indústria já investiu R$ 74,7 bilhões, mais de 62% do projetado para o período. Com esses investimentos, o setor demonstra a força e a consistência desse movimento, essencial para garantir competitividade e abastecimento nos mercados interno e externo', destaca Dornellas.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



