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Imea mantém projeções para soja e milho em MT, mas clima dita o ritmo das safras 2026/27

Mesmo com o atraso no plantio da oleaginosa e incertezas climáticas, órgão conserva estimativas de produção; levantamento mensal também traz destaques do algodão e do mercado pecuário

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Imea mantém projeções para soja e milho em MT, mas clima dita o ritmo das safras 2026/27
Plantações de soja e milho • Canva/ Reprodução

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) manteve inalteradas, em seu relatório de outubro, as estimativas para a safra 2026/27 de soja e milho no estado.

Embora os trabalhos no campo tenham começado com atrasos provocados pela irregularidade das chuvas iniciais, o órgão vinculado à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) ressalta que o potencial produtivo da temporada dependerá fundamentalmente do comportamento do clima nos próximos meses.

Soja: área em leve expansão e recuperação nos preços da saca

Para a soja, o IMEA manteve a projeção de área em 13,05 milhões de hectares, com produtividade média estimada em 62,44 sacas por hectare (sc/ha). Se confirmados, os números resultarão em uma colheita de 48,88 milhões de toneladas, uma retração de cerca de 5% em relação ao ciclo anterior, reflexo de um rendimento mais modesto do que os desempenhos excepcionais observados nas duas últimas safras (ambas acima de 66 sc/ha).

Apesar do otimismo com a área plantada, a cautela do produtor ao semear deve-se ao risco de paralisação das precipitações e às elevadas temperaturas previstas para dezembro.

No mercado financeiro e de comercialização, o cenário trouxe alívio aos produtores:

  • Preço em alta: em 30 de setembro de 2026, a saca da soja atingiu R$ 140,85 no Estado, o maior nível desde 2024, impulsionada pela forte demanda das indústrias de esmagamento. O valor contrasta com o início do ano, quando a saca operava abaixo de R$ 100,00.

  • Mercado externo retraído: no ambiente internacional, o contrato futuro de março de 2027 em Chicago recuou 2,17%, acompanhado do Prêmio Santos (¢US$ 143,00/bu, queda de 2,87%), pressionados pela ampla oferta da safra norte-americana.

Milho: alerta sobre a janela do plantio de segunda safra

As projeções para o milho 2026/27 também foram preservadas. A área cultivada está estimada em 7,48 milhões de hectares (+0,59%), enquanto a produtividade deve recuar 8,05% (119,64 sc/ha) em virtude da expectativa conservadora com os impactos do fenômeno El Niño. A produção total projetada é de 53,68 milhões de toneladas (-7,50%).

O principal ponto de atenção reside no ritmo da soja: se o atraso na semeadura da oleaginosa persistir, a janela ideal do milho safrinha será encurtada. No entanto, a alta capacidade operacional das máquinas no estado pode recuperar o tempo perdido caso as chuvas se regularizem ao longo de outubro.

No cenário macroeconômico, a cotação do milho em Chicago caiu 4,46% (US$ 5,09/bu) devido à colheita nos EUA, e a saca na B3 recuou 4,10% (R$ 72,90/sc). Por outro lado, o dólar avançou 1,16%, cotado à média de R$ 5,21/US$.

Algodão: produtividade recorde na safra 25/26 e avanço de área em 26/27

O relatório consolidou os dados do encerramento da colheita do algodão em caroço do ciclo 2025/26, confirmando uma produtividade recorde de 330,25 arrobas por hectare (@/ha), alta de 4,80%. No entanto, devido à menor área colhida, a produção fechou em 6,81 milhões de toneladas.

Para o ciclo 2026/27, estimativas apontam:

  • Área: aumento de 3,84%, alcançando 1,43 milhão de hectares, encorajado por preços atrativos da pluma.

  • Produção: prevista em 6,65 milhões de toneladas (-2,41%), com produtividade estimada em 310,39 @/ha (-6,01%), devido aos riscos associados ao clima e ao eventual atraso da soja.

  • Exportação: as vendas externas de pluma para 2026/27 devem crescer 2,74%, atingindo 2,14 milhões de toneladas, impulsionando a demanda total da fibra mato-grossense para 2,79 milhões de toneladas.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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