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IMA aperta cerco a criatórios de aves para consumo próprio e de produção industrial; entenda

Inquérito soroepidemiológico da produção de aves está sendo coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e abrange 139 propriedades em todo o estado

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Necessidade de registro da produção doméstica é antiga, pois essas aves também oferecem risco • Freepik

Trinta e quatro propriedades que criam aves para consumo próprio e outras 105 envolvendo a avicultura industrial terão material biológico coletado por técnicos do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). A finalidade do chamado ‘inquérito soroepidemiológico’ é garantir que não haja circulação de doenças aviárias no estado, incluindo a influenza e a Doença de Newcastle.

A análise de risco feita pelo Mapa leva em consideração, principalmente, o município, os sítios de invernada (locais de descanso), a reprodução de aves silvestres e a densidade de alojamento.

O resultado deste inquérito terá abrangência nacional. Os resultados até agora, tanto em Minas Gerais, quanto no resto do Brasil têm sido negativos.

“Este trabalho requer uma logística bem pensada por parte do IMA, pois é preciso considerar o período da coleta, o tempo de envio e de recebimento da amostra no LFDA de Campinas. É preciso ter o cuidado de não coletar e enviar todas as amostras do estado ao mesmo tempo, evitando uma sobrecarga para o laboratório”, explica Izabella Hergot, médica veterinária e coordenadora do Programa de Sanidade Avícola do estado.

Cadastro é fundamental 🐔🐤🐣

A necessidade de cadastro da produção doméstica, ou seja, de subsistência, no IMA, é antiga, pois essas aves também oferecem um risco para as criadas comercialmente.

“Muitas vezes nossos técnicos vão fiscalizar determinada propriedade que cria bovinos, mas percebe que há a criação de aves e também realiza esse cadastro no local, mesmo que não tenham finalidade comercial”, revela a médica veterinária. Atualmente, o IMA conta com cerca de 18 mil propriedades produtoras de aves de subsistência cadastradas em todo o estado.

A criação doméstica pode oferecer risco para o plantel mineiro por viverem livres e, muitas vezes, sem as medidas de biosseguridade obrigatórias para as granjas comerciais. “Elas estão sujeitas a doenças como o botulismo, causada por uma bactéria que provoca paralisia nas aves”, conta Izabella Hergot.

Apesar de o botulismo não trazer danos para a saúde humana, pode ser facilmente confundida com a Doença de New Castle ou mesmo a influenza aviária, o que alerta o produtor. Nesses casos, notificar o IMA da suspeita dessas doenças é fundamental para a manutenção da saúde das aves do estado.

Perigo iminente ⚡

Nosso país não está livre da gripe aviária. Apesar de não termos casos da doença em produções de subsistência ou comercial, o perigo vem de fora. Aves migratórias podem trazer o vírus e contaminar a produção em nosso estado.

No fim de 2023, o governo do estado sancionou uma lei que trata de ações que prevêem a biosseguridade da produção avícola mineira, além de ratificar ações que já eram necessárias, mas que agora se tornaram obrigatórias, como a utilização da Guia de Trânsito Animal (GTA) para transportar aves dentro do território mineiro. A partir da publicação da Lei 24.674, o produtor que transportar animais sem a GTA pode ser multado. A principal função da nova lei é coibir a clandestinidade, um risco à saúde do plantel mineiro.

Importância econômica 💸

  • O Brasil é um país de destaque na produção avícola mundial. 🐔
  • Minas Gerais é o sexto estado que mais produz aves de corte e o segundo maior produtor de ovos no país, representando 19,33% da exportação nacional, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). 🐣
  • Doenças como a influenza aviária ou New Castle podem trazer embargos às exportações de produtos, o que pode causar quebra da economia nacional. 🐔
  • Muitas famílias dependem da produção avícola, principalmente em Minas. 🐤
  • O trabalho de defesa sanitária avícola visa, não somente a saúde dos mineiros, mas também a saúde econômica da população. 🐔

(*) Com informações do IMA/Igor Torres.

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Por

Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.