Gases de efeito estufa: Sebrae adota o etanol em sua frota e quer que exemplo se multiplique
Presidente Marcelo de Souza e Silva disse que o ato é simbólico e didático e que todos deveriam pensar em segui-lo

A exemplo das frotas do Governo de Minas e da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), a partir de agora, os 140 veículos do Sebrae Minas também serão abastecidos com etanol. A novidade, anunciada durante solenidade em sua sede, nesta quarta-feira, faz parte de uma parceria com a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig) com o objetivo de incentivar o consumo do etanol e, ao mesmo tempo, ajudar a reduzir a emissão dos gases de efeito estufa.
A campanha intitulada “Nós usamos etanol – frota Sebrae 100% limpa e renovável”, tem a meta de subtrair cerca de 60% das emissões dos gases de provenientes dos veículos da instituição.
Adesão à campanha surgiu na COP 23 🌾
O presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva, contou que a ideia de aderir ao movimento surgiu durante a COP 30, em Dubai, no ano passado, em conversas com os presidentes da Siamig, Mário Campos e Antônio de Salvo, da Faemg. “Lá também ouvimos líderes mundiais que reforçaram a ideia de que ações locais podem ter impactos globais”. Em seu discurso, Souza e Silva acrescentou ainda que abastecer os carros da instituição com etanol era um “gesto simples, mas bastante simbólico e didático e que ele esperava que fosse extensivo aos seus 800 funcionários. O Sebrae Minas acredita que, ao liderar pelo exemplo, pode ajudar a inspirar a sociedade”.
‘Não conheço ninguém que tenha um poço de petróleo' 👳♂️
Antônio de Salvo lembrou que quem abastece o carro com gasolina, joga na atmosfera ‘alguma coisa’ em torno de 150 gramas de gases de efeito estufa por quilômetro rodado. Já quem adota o etanol, joga 62 gramas por quilômetro rodado. “É só uma questão de se pensar um pouco. O que estamos fazendo para melhorar o ar que respiramos. Nós, produtores rurais, estamos fazendo a nossa parte com nossas reservas florestais. E quem mora nas áreas urbanas está fazendo o quê”, provocou.
Em seu tom habitualmente informal, De Salvo ainda brincou: “Além do mais, conheço muita gente que planta cana. Mas não conheço ninguém que tenha um poço de petróleo. Então, prefiro comprar de quem eu conheço e que faz a economia girar em nosso mercado. Nada contra os petroleiros e a Petrobrás, mas é só que a sardinha está pouca, então é melhor puxá-la para nosso lado”.
Etanol tem menor carga tributária, por isso chega mais barato nas bombas ⛽
Mário Campos disse estar feliz em ver que o tema da descarbonização vem sendo levado a sério tanto por setores públicos quanto privados e lembrou que “ao usarmos o etanol, em detrimento da gasolina, além de ajudar o meio ambiente, economizamos dinheiro”. “Hoje, o etanol é um produto que tem incentivo em termos tributários em relação ao combustível fóssil. Por isso, chega aos postos de combustível, num preço mais competitivo”.
Aumento da área plantada de cana= + energia elétrica e gás biometano 🌱
Campos disse ainda que o setor vive um bom momento em termos de produção com o aumento da área plantada de cana-de-açúcar e, consequentemente, de outros produtos, como a própria energia elétrica e o gás biometano, que é outra vertente com grande potencial de crescimento.
“O mundo está buscando sistemas que possam descarbonizar o meio ambiente. E nós temos um produto único e criamos um um automóvel que pode utilizar tanto o etanol quanto a gasolina. Esse casamento é um espetáculo no sentido de que a gente pode, de fato, caminhar para uma economia com menos carbono”, falou.
Campos ponderou que ‘não pode reclamar do Governo Federal’ que, na sua na sua política de tributação, tem incentivado o biocombustível em detrimento do combustível fóssil. “Já está, inclusive, em discussão no Congresso Nacional um projeto de lei que vai tratar do aumento da mistura de etanol na gasolina”, revelou.
Mitos do etanol que ainda persistem
De acordo com o presidente da Siamig, os dois principais mitos com relação à adoção do etanol pelo consumidor são:
- O de que ele pode provocar algum dano no veículo.
“O carro Flex no Brasil está completando 21 anos, agora no mês de março e já representa 85% da nossa frota. Ninguém nunca ouviu falar que um carro deu defeito por ser abastecido com etanol”.
- o mito de que a gasolina rende mais. “
"A esse respeito, o que podemos dizer é que já há veículos em que essa proporção não existe e ela também depende muito da forma como a pessoa dirige”.
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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



