Exportação reaquece mercado do arroz no RS a R$ 90/saca, mas frio e chuvas preocupam no campo
Reação nas vendas externas traz alívio às cotações do cereal gaúcho, mas produtores enfrentam atrasos na semeadura regional e gargalos financeiros para a próxima safra

As exportações de arroz voltaram a aquecer o mercado no Rio Grande do Sul. Após um período de estagnação e menor liquidez, a entrada de três grandes tradings comprando o cereal para o mercado externo reaqueceu os negócios, com negociações em torno de R$ 90 por saca no estado.
A oscilação do dólar havia paralisado temporariamente as tratativas internacionais, segundo explica o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes.
"O mercado deu uma parada, até porque, com a mudança do dólar, os players deram uma segurada nas negociações. Mas entraram três tradings comprando arroz para exportação, em média a R$ 90, e isso deve segurar o mercado", destacou o dirigente.
Clima adverso atrasa plantio e emergência em regiões estratégicas
Apesar do alívio comercial, o cenário no campo é de alerta. As chuvas recorrentes e as baixas temperaturas estão prejudicando os trabalhos de semeadura e a emergência das plantas em importantes regiões produtoras gaúchas.
Embora o índice geral de plantio no Estado apresente um ritmo superior ao da safra anterior, puxado pelo desempenho acelerado da Fronteira Oeste, que concentra uma parcela expressiva da área semeada, a realidade é bastante heterogênea entre os municípios.
"O plantio está avançado em relação à safra anterior no RS, mas em algumas regiões está muito atrasado. Se formos comparar por regiões — Litoral Norte, Planície Costeira Interna e a própria Zona Sul (Arroio Grande, Pelotas e Rio Grande) —, está muito atrasado", detalhou Nunes.
O frio intenso também tem sido um obstáculo: na própria Fronteira Oeste e em Santa Vitória do Palmar, as baixas temperaturas registradas nos últimos dias prejudicaram o desenvolvimento inicial do arroz, inclusive nas lavouras semeadas de forma mais precoce.
Gargalo no crédito rural ameaça a safra
A par das adversidades climáticas, os arrozeiros enfrentam um sério entrave financeiro: o difícil acesso às linhas de financiamento e ao crédito custeio para a condução do ciclo agrícola 2026/2027.
Conforme a Federarroz, as negociações com os agentes financeiros caminham a passos lentos, o que compromete o planejamento e o fornecimento de insumos nas propriedades. A entidade orienta os produtores que encontram barreiras junto às instituições financeiras a procurarem os sindicatos e associações locais para buscar mediação e apoio.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



