Belo Horizonte
Itatiaia

Estudo propõe câmeras de smartphones para avaliar qualidade de azeite de oliva

O azeite é o segundo produto alimentício mais fraudado do mundo; no Brasil as fraudes mais comuns são a mistura de outros óleos ao produto final

Por
Imagem ilustrativa • Divulgação Mapa

O azeite de oliva é o segundo produto alimentício mais fraudado do mundo. No Brasil, segundo maior exportador mundial, as fraudes mais comuns são a mistura de outros óleos ao produto final. Um estudo da Universidade Federal de Lavras (UFLA) propõe uma abordagem inovadora para determinar a qualidade dos azeites.

Nesta segunda-feira (24), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), apreendeu 10.800 litros de suposto ‘azeite de oliva extravirgem’ em um centro de distribuição de supermercados em Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo. A ação ocorreu três dias após divulgação da lista de produtos fraudados, na última sexta-feira (21).

A tese de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Agroquímica, de Amanda Souza Anconi, aponta novos métodos com o uso de câmeras de smartphones para medir parâmetros de qualidade do produto, como a acidez livre (AL), que indica a quantidade de ácidos graxos livres, e o índice de peróxido (IP), usado para medir a oxidação do azeite.

Resultados

Os métodos se mostraram eficientes, com altos coeficientes de determinação (R²) e baixos erros de predição. De acordo com a autora do estudo, Amanda Souza Anconi, os resultados foram excelentes.

'Normalmente, bons métodos analíticos fornecem valores de R² próximos de 1. Obtivemos valores de 0,97 para IP e 0,99 para AL, indicando que os dados estão altamente ajustados ao modelo linear. Os erros baixos também confirmaram que os resultados são muito próximos aos obtidos pelo método oficial, comprovando a alta eficiência preditiva dos modelos', afirmou a pesquisadora.

A adoção dessa nova técnica pela indústria poderia transformar o modo como a qualidade dos azeites de oliva é avaliada, tornando o processo mais acessível, simples e econômico.

A pesquisa - sob orientação do professor Cleiton Antônio Nunes - foi divulgada em dois periódicos científicos, Journal of Food Composition and Analysis e Food Chemistry, bem como no jornal Olive Oil Times.

Por

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde