Itatiaia

Embrapa orienta casas de farinha sobre boas práticas no processamento da mandioca

Cuidados com higiene, organização e manipulação ajudam a garantir a qualidade sanitária e a padronização da farinha

Por
Dois homens trabalham em uma mesa de processamento de mandioca, manipulando a massa da raiz em um espaço coberto.
Trabalhadores manipulam a massa de mandioca durante o processamento em uma casa de farinha. • Divulgação / Embrapa

A adoção de Boas Práticas de Fabricação (BPF) no processamento da mandioca é fundamental para garantir a qualidade sanitária da farinha e a padronização do produto final. Para orientar produtores, agricultores familiares e técnicos, a Embrapa disponibiliza conteúdos e treinamentos focados nos procedimentos aplicáveis às casas de farinha.

As BPF englobam um conjunto de rotinas e procedimentos sanitários que devem ser observados em todas as etapas de produção, desde o recebimento e manipulação da matéria-prima até o processamento, secagem e acondicionamento da farinha.

Higiene e manipulação no processo produtivo

A higienização do ambiente de produção e dos manipuladores é um dos pilares das BPF. Recomenda-se a limpeza periódica das instalações, assim como a higienização frequente de equipamentos e utensílios utilizados no descasque, moagem, prensagem e torra.

De acordo com a Embrapa, como a farinha de mandioca é um alimento pronto para o consumo que não passa por etapa posterior de purificação ou cozimento pelo consumidor final, a manutenção de rigorosos padrões higiênico-sanitários no local de fabricação previne contaminações biológicas e físicas.

O manejo correto da massa durante a prensagem e a torra também interfere diretamente nas características físico-químicas do produto, como textura, granulometria, cor e sabor.

Organização e estrutura das casas de farinha

A organização do espaço físico e a separação entre as diferentes fases do processamento reduzem os riscos de contaminação cruzada e otimizam o fluxo de trabalho nas unidades de produção. Recomenda-se a manutenção de ambientes limpos, arejados e com descarte adequado de resíduos sólidos.

A padronização dos processos produtivos contribui para manter a qualidade da farinha e atender aos requisitos normativos e de mercado.

Outro aspecto abordado nas orientações técnicas é o tratamento da manipueira, efluente líquido gerado durante a prensagem da mandioca. Por conter compostos cianogênicos (como o ácido cianídrico), a manipueira não deve ser descartada diretamente no solo ou em corpos d'água sem o devido tratamento.

Existem técnicas para o manejo e aproveitamento desse subproduto, tais como a fabricação de adubos, inseticidas naturais ou descanso para decantação, reduzindo riscos de impacto ambiental na unidade produtiva.

As orientações e publicações técnicas sobre o processamento de farinha de mandioca, tipos de derivados e recomendações para casas de farinha estão disponíveis para consulta no Portal Embrapa.

Por

*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

 

 

Belo Horizonte