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Eleições 2026: bancada do agro amplia presença no Senado e mantém peso na Câmara

Com a manutenção de seu núcleo duro na Câmara dos Deputados e a chegada de ex-governadores e parlamentares experientes ao Senado, setor agropecuário se fortalece e 'prepara terreno' para disputas orçamentárias e ambientais

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Área rural com pastagem verde e fileiras de árvores ao fundo, sob céu parcialmente nublado.
Divulgação

O agronegócio consolidou, após o processo eleitoral neste domingo (4), a manutenção da força política da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) na Câmara dos Deputados e a expansão de sua presença no Senado Federal.

Com a reeleição de quase 72% dos deputados da bancada que tentaram novo mandato e a migração de 17 parlamentares da Câmara para o Senado, o setor preserva sua diretoria central e ganha 'força' para as próximas negociações orçamentárias e regulatórias da próxima legislatura.

Câmara: reeleição de 72% e preservação do comando

Na Câmara dos Deputados, dos 297 integrantes da FPA, 242 tentaram renovar o mandato nas urnas. Desses, 174 deputados conseguiram a reeleição (69,8% do total dos que disputaram, ou quase 72% dos votos válidos da bancada em campanha).

O núcleo diretivo da FPA foi mantido praticamente intacto nas urnas. O presidente da frente, Pedro Lupion (Republicanos-PR), renovou seu mandato com 190,8 mil votos (sendo o 11º deputado mais votado do Paraná). Ao lado dele, foram reeleitos:

  • Alceu Moreira (MDB-RS), ex-presidente e coordenador institucional da frente na Câmara, com mais de 207 mil votos;

  • Zé Vitor (PL-MG), coordenador político na Câmara, com mais de 145 mil votos.

Nomes de atuação frequente do setor na Câmara também garantiram mais quatro anos de mandato, como Sérgio Souza (MDB-PR), Tião Medeiros (PP-PR), Coronel Fernanda (PL-MT), Pezenti (MDB-SC), Rodolfo Nogueira (PL-MS), Greyce Elias (PL-MG) e Afonso Hamm (PP-RS).

Entre as exceções e baixas na Câmara, destaca-se a ausência voluntária do vice-presidente da FPA, Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que optou por não disputar a eleição. Já Luiz Nishimori (PSD-PR) e Zé Silva (União-MG) não alcançaram votação suficiente para a vaga direta e ficaram como suplentes. Do total de 68 deputados da bancada que não renovaram o mandato, 59 mantêm chances de assumir cadeiras ao longo da legislatura na condição de suplentes, enquanto nove não foram eleitos.

Dez deputados da FPA preferiram não disputar qualquer cargo nas eleições. Outros 45 tentaram migrar para novas funções políticas e 22 obtiveram êxito, incluindo dois deputados estaduais, um governador e dois suplentes de senadores. Além disso, dois nomes da bancada seguem no segundo turno: Alfredo Gaspar (União-AL), concorrendo à vice-presidência da República, e Vicentinho Júnior (PP-TO), que disputa o governo do Tocantins.

Senado: renovação com 17 ex-deputados e 'rearranjo' regional

O Senado passará por uma alteração significativa em seu perfil de atuação a partir de 2027. A FPA obteve um impulso expressivo na Casa com a eleição de 17 deputados e deputadas federais que migram da Câmara para um mandato de oito anos no Senado.

Entre os novos senadores eleitos vindos do ecossistema da FPA estão:

  • Domingos Sávio (PL-MG), ex-relator da Lei do Autocontrole Agropecuário e vice-presidente da FPA, eleito o senador mais votado de Minas Gerais com 4,5 milhões de votos (24,56%);

  • Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), atuante nas pautas de seguro rural e cooperativismo;

  • José Medeiros (PL-MT), Marcel van Hattem (NOVO-RS), Sanderson (PL-RS) e Caroline de Toni (PL-SC).

A renovação no Senado compensa a baixa de veteranos da bancada. Dos 48 senadores da FPA em 2026, 15 tentaram a reeleição, mas apenas seis obtiveram sucesso. Nove senadores não conseguiram renovar os mandatos, incluindo Zequinha Marinho (Podemos-PA), atual presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA).

Outros 11 senadores da FPA não precisaram passar pelas urnas por possuírem mandato garantido até 2031, como Tereza Cristina (PP-MS), Jorge Seif (PL-SC) e Jaime Bagatolli (PL-RO). Nove senadores optaram por encerrar a trajetória em cargos públicos, como Luis Carlos Heinze (PP-RS).

Três senadores da FPA disputaram outros Executivos estaduais e saíram vitoriosos: Cleitinho (Republicanos) governará Minas Gerais, Sergio Moro (União) comandará o Paraná, e Nelsinho Trad (PSD) assumirá como suplente do senador eleito Reinaldo Azambuja (PL-MS).

Quatro senadores tentaram governos estaduais, mas foram derrotados e mantêm seus mandatos no Senado até 2031: Efraim Filho (União-PB), Wellington Fagundes (PL-MT) e Wilder Morais (PL-GO). Já a senadora Roberta Accioly (Republicanos-RR) disputou uma vaga de deputada federal, ficando na suplência.

Três senadores vinculados à FPA continuam na disputa do segundo turno: Professora Dorinha (União-TO) no Tocantins, Alan Rick (Republicanos-AC) no Acre e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República.

Próximos passos e disputas legislativas

Com partidos como PL, PP, União Brasil, Republicanos e PSD concentrando a maior parte dos quadros do agro no Congresso, a FPA consolida sua posição como ator decisivo tanto na formulação de governabilidade quanto no direcionamento das políticas orçamentárias de 2027.

O primeiro grande teste da nova formação parlamentar ocorrerá na negociação do Orçamento federal, com foco nos recursos para o Plano Safra, seguro rural, linhas de crédito e infraestrutura, além do acompanhamento das agendas ambientais, licenças e regras internacionais de rastreabilidade.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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