Dia Nacional do Cacau - Brasil é o 7º maior produtor mundial dessa maravilha
Em Minas, principais municípios produtores estão concentrados no Vale do Jequitinhonha; cultivo é em matas nativas; entenda

Hoje - 26 de março - é o Dia Nacional do Cacau. A data foi instituída graças a um projeto de lei do ex-deputado estadual Atayde Armani (DEM-ES), com a intenção de debater e encontrar soluções para a proteção dos cacaueiros do Espírito Santo e Bahia.
Apesar do cacau ter sido cultivado inicialmente na Amazônia, onde já era nativo, foi na Bahia que a espécie encontrou o maior índice de produtividade e sucesso por ter se adaptado bem ao clima quente e úmido. Para se ter uma ideia, houve um tempo em que Ilhéus abastecia, sozinha, o país inteiro. Tanto que em 1820 ela era considerada a “capital nacional do cacau" por causa do grande número de produtores. Mesmo depois da praga que atingiu a região em 1989 e devastou as plantações da região, a Bahia se reergueu e ainda é responsável por produzir cerca de 95% do cacau brasileiro.
Cacau integrado às matas nativas
Pouca gente sabe, mas em Minas também se cultiva cacau. Só que, claro, em pequena escala. Os principais municípios produtores são Almenara, Bandeira, Mato Verde e Jordânia, todos no Vale do Jequitinhonha. Juntas, todas as plantações, ocupam uma área de mais de 100 hectares.
A produção mineira de cacau tem suas particularidades. No município de Bandeira, há registros dos pés do fruto há mais de 50 anos. Mas os plantios comerciais são mais recentes, nos últimos 20 anos. O município conta até com a Associação dos Produtores de Cacau de Bandeira (Asprocab).
Já em Almenara, os cacaueiros estão concentrados no Quilombo Marobá dos Teixeiras. Eles são cultivados há mais de 120 anos no sistema conhecido como cabruca, um tipo de manejo agroflorestal cujos pés de cacau são integrados à mata nativa.
O coordenador de fruticultura da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado Minas Gerais (Emater-MG), Deny Sanábio, explica que 95% do cacau mineiro é produzido em matas, o que traz vantagens, como a preservação da mata ciliar e das nascentes, a infiltração de água no solo, o controle da biodiversidade e a manutenção da fauna e flora locais.
Outro ponto positivo é que essa espécie de cacau nativo já está adaptada à biodiversidade, o que minimiza o risco de doenças. É um cenário diferente do encontrado na Bahia, que cultiva predominantemente espécies melhoradas geneticamente, mais resistentes à Vassoura de Bruxa, fungo que afetou drasticamente a produção na região durante a década de 1990. Segundo Deny, a doença pode até atingir a planta, mas não a mata.
Frutos são colhidos verdes
A colheita é prolongada, com frutos verdes, maduros e pós-flor, podendo durar por até quatro meses. Ainda assim, há registros de sua produção (em menor escala ainda) no Sul de Minas Gerais, em algumas propriedades que mesclam seringueira e cacau.
De acordo com Sanábio, o manejo do cacau nas matas é bem mais simples, sendo necessário basicamente podar e colher. Como nesse meio o solo é mais úmido, em muitos casos não é preciso irrigar. Muitas vezes a adubação nem é utilizada, assim como a pulverização contra pragas ou doenças. “O plantio do cacau nessas condições contribui para atender as exigências legais, garante a manutenção das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e ainda produz renda”, explica Deny.
Origem do cacau
Estudos científicos apontam que o berço do cacau é o norte da América do Sul. Entre 1500 a.C. e 200 d.C., os comerciantes da região o espalharam até a América Central.
Ranking Mundial
O Brasil é o sétimo maior produtor de cacau do planeta. Apesar de ser naturalmente abundante na Amazônia, foi no estado da Bahia que ele apresentou um bom índice de produtividade.
História
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O cacau era utilizado pelos maias como oferenda para os seus deuses: a semente era processada e moída, transformando-se em uma pasta.
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Depois, adicionava-se água, pimenta e farinha de milho — essa seria a primeira receita de chocolate.
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Esse produto também servia como moeda de troca para os povos maia e asteca, havendo relatos de que, para eles, o cacau era mais valioso do que ouro ou prata.
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Após 1400, os astecas dominaram os maias e a receita do chocolate sofreu modificações. Eles faziam uma bebida acrescentando água, mel, pimenta e outras especiarias, com os nomes de “xocoatl” ou “cacauhalt”, que significam água amarga ou água do cacau. Essa era uma bebida afrodisíaca, de sabor amargo e apimentado, que só podia ser apreciada pelos nobres.
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Em 1528, os colonizadores espanhóis levaram o fruto para a Europa, onde ele começou a ser adoçado e misturado com canela e baunilha para fazer uma bebida quente.
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Mas foi somente em 1700 que o cacau chegou à França e à Inglaterra, onde o leite foi incluído na receita, virou essa maravilha que hoje conhecemos e se espalhou pelo mundo.
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Em 1765, os Estados Unidos começaram a fabricar os chocolates em barras.
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O cacau é uma ótima fonte de energia, sais minerais, potássio, fósforo e magnésio.
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Também tem altos níveis de antioxidantes que controlam o efeito dos radicais livres do nosso organismo.
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Outro benefício é que o cacau proporciona o aumento da serotonina no organismo, o hormônio do prazer. Por isso, ingerir chocolate costuma trazer mais disposição e bom humor.
Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.
