Com foco em espumantes, Vinícola Garibaldi avança no mercado de Minas Gerais
Após completar 95 anos de fundação em janeiro, a marca da Serra Gaúcha registra R$ 283 milhões e projeta crescimento de 10% ao ano; Minas Gerais responde por 28% das vendas da vinícola na Região Sudeste

Após celebrar 95 anos de trajetória em janeiro, a Cooperativa Vinícola Garibaldi intensifica sua estratégia de expansão no mercado nacional focada na consolidação do seu portfólio de espumantes. A vinícola gaúcha, fundada em 1931 e que reúne 470 famílias de cooperados em 1,2 mil hectares na Serra Gaúcha, projeta crescer a uma taxa de 10% ao ano para alcançar o centenário, em 2030, com participação ainda maior no varejo brasileiro.
Dentro da estratégia de ampliação na Região Sudeste, Minas Gerais assumiu papel estratégico no faturamento da empresa. O estado responde atualmente por 28% de todas as vendas da Garibaldi no Sudeste, impulsionado principalmente pelo consumo de espumantes, que representam mais de um terço do volume comercializado em território mineiro, além da forte demanda por suco de uva, responsável por mais de 30% das vendas locais.
Para consolidar a presença no mercado mineiro, a marca reforça a distribuição em grandes redes supermercadistas, atacadistas e em lojas especializadas em Belo Horizonte, Região Metropolitana, Zona da Mata e Triângulo Mineiro, além de confirmar participação na Superminas Food Show, maior evento do setor varejista do estado, que será realizado de 27 a 29 de outubro de 2026 no Expominas, na capital mineira.
Espumantes como carro-chefe do centenário
À Itatiaia, o gestor de comunicação e sommelier da Cooperativa Vinícola Garibaldi, André Luís Rech, destacou que o planejamento rumo aos 100 anos está centrado na vocação terroir da Serra Gaúcha para a produção de uvas brancas de alta qualidade.
"O principal foco da Cooperativa neste momento é em espumantes. Estamos localizados na Serra Gaúcha, uma região propícia para o cultivo de uvas brancas com as características ideais para elaboração da bebida. Estamos trabalhando constantemente para colocar no mercado espumantes de qualidade, com vivacidade e frescor, que traduzem a nossa marca", afirmou Rech.
A meta estipulada pela diretoria é manter o ritmo de expansão anual de 10%. "Já estamos estruturando os 100 anos da cooperativa e, para isso, precisamos estar preparados para chegar no centenário ainda mais reconhecidos em espumantes, aumentando nosso share de mercado para ser a referência nacional na categoria", projetou o gestor.
Na estrutura global da cooperativa, a venda de espumantes responde por 44,9% do faturamento total de R$ 283 milhões, seguida por sucos de uva (30,4%) e vinhos finos e de mesa (10,6%).

Pesquisa e adaptação às mudanças climáticas
Para proteger a produção agrícola frente às oscilações de clima, a Garibaldi investe no cultivo experimental e na introdução de variedades adaptadas. A cooperativa vem testando cepas adaptadas a regiões de clima frio e uvas do grupo PIWI, geneticamente mais resistentes a fungos e doenças foliares.
"A pesquisa em nosso vinhedo experimental tem ajudado muito. Testamos uvas com características centrais de regiões frias, semelhantes ao nosso terroir. Também executamos a testagem de uvas PIWI, que demandam menos tratamentos fitossanitários no campo. O resultado é a obtenção de uvas de ótima qualidade voltadas à elaboração de vinhos, sucos e espumantes de alto padrão", explicou André Luís Rech.
A receptividade do consumidor mineiro e o avanço dos vinhos de nicho
Segundo Rech, a identificação dos consumidores de Minas Gerais com os rótulos gaúchos relaciona-se à tradição cultural do estado com a gastronomia e o consumo de bebidas de qualidade. O avanço da vitivinicultura própria em solo mineiro também é visto de forma positiva pela cooperativa.
"A cultura de Minas está muito atrelada ao consumo de bebidas pela tradição na elaboração de cachaças, o que abre oportunidade para o consumidor provar produtos diferentes e entrar no mundo dos vinhos e espumantes", pontuou. "O fato de Minas Gerais também ter se tornado um estado produtor facilita a consolidação da categoria. A variedade gera curiosidade no público, tornando o consumidor mais propenso a degustar novos rótulos".
Para ampliar a fatia de mercado dos vinhos finos, como a linha Harmonia e edições exclusivas, a Garibaldi prepara uma estratégia comercial direcionada ao canal food service e casas especializadas em Minas.
"Quando falamos em edições exclusivas e linhas de maior valor agregado, fazemos um trabalho comercial distinto do grande varejo. O foco passa a ser em bares, restaurantes e empórios especializados, com uma comunicação voltada para um público que busca produtos diferenciados", concluiu Rech.

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



