China suspende três frigoríficos de carne bovina brasileira logo após liberar outros
Bloqueio atinge plantas da JBS, Prima Foods e Frialto apenas dois dias após o país asiático reabilitar outras três unidades

Dois dias após reabilitar três frigoríficos brasileiros que estavam embargados desde março de 2025, a Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC) anunciou a suspensão das licenças de exportação de outras três unidades de carne bovina localizadas em Minas Gerais e Mato Grosso.
As plantas afetadas pertencem a grandes empresas do setor: JBS, Prima Foods e Frialto. De acordo com as autoridades alfandegárias chinesas, a medida foi tomada após testes detectarem nas carnes enviadas a presença de hormônios sintéticos utilizados como medicamento veterinário no gado — substâncias cujo uso é estritamente proibido pelas regras sanitárias da China.
Unidades afetadas pelo bloqueio
A suspensão atinge diretamente três complexos industriais estratégicos para o escoamento da carne brasileira para a Ásia:
- Prima Foods (SIF 157): localizada em Araguari (MG).
- Frialto (SIF 4490): localizada em Matupá (MT).
- JBS (SIF 51): localizada em Pontes e Lacerda (MT).
O embargo acende um sinal de alerta para a cadeia produtiva, dado o rigor dos testes de amostragem realizados pelo principal parceiro comercial do agronegócio brasileiro.
Setor alega medida preventiva e defende rigor sanitário
Em nota oficial, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que está acompanhando o caso de perto e de forma conjunta com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A entidade buscou tranquilizar o mercado, enfatizando o caráter preventivo da decisão e a robustez do sistema de fiscalização nacional.
"O Brasil possui um dos sistemas de controle sanitário mais rigorosos e reconhecidos internacionalmente, com monitoramento contínuo ao longo de toda a cadeia produtiva e atuação permanente do Serviço de Inspeção Federal (SIF)", declarou a Abiec.
A associação garantiu que as cargas que apresentaram inconformidades já estão recebendo o tratamento previsto nos protocolos bilaterais. O objetivo da suspensão imediata, segundo a Abiec, é permitir que as empresas e o governo consigam realizar a rastreabilidade completa da matéria-prima e adotar as correções técnicas necessárias.
Fluxo de exportações segue normalizado
Apesar do revés para as três plantas específicas, a Abiec reiterou que a situação está sendo tratada estritamente no âmbito técnico para que a normalização ocorra de forma rápida.
O impacto nas exportações gerais do país deve ser controlado, visto que o restante do parque industrial brasileiro credenciado permanece intocado. "Os demais estabelecimentos habilitados seguem operando normalmente, assegurando o fluxo das exportações de carne bovina brasileira ao mercado chinês", concluiu a entidade.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



