Casal da Pecuária revela estratégias de gestão e giro de rebanho na FEAGRO
Com mais de 700 mil seguidores, Anderson Bogonha e Dinair Correia compartilharam a trajetória de quem começou do zero; eles são conhecidos nacionalmente como o 'Casal da Pecuária'

Decisões estratégicas de compra e venda, uso de tecnologia no manejo e velocidade de giro do rebanho foram os grandes destaques da apresentação de Anderson Bogonha e Dinair Correia, conhecidos nacionalmente como o "Casal da Pecuária", na manhã desta sexta-feira (30).
O casal, que acumula mais de 700 mil seguidores nas redes sociais, movimentou o segundo dia da 3ª Feira Agropecuária de Januária (FEAGRO) com orientações práticas para transformarem a rentabilidade das propriedades rurais da região.

A trajetória do casal começou na região de Alcinópolis, no Mato Grosso do Sul. Dinair deixou a carreira na contabilidade e o cargo em uma usina para se dedicar ao campo, enquanto Anderson, que tem origem em família ligada ao meio rural, decidiu construir o próprio empreendimento. Em áreas arrendadas, deram o pontapé inicial com apenas 37 cabeças de gado.
Cerca de 13 anos depois, superaram a marca de 2 mil reses em Mato Grosso do Sul e hoje se dedicam a orientar outros produtores.
À Itatiaia, Dinair relembrou o início desafiador e explicou a motivação para repassar o conhecimento adquirido na prática: "a gente começou do zero realmente, com 37 cabeças, e foi construindo, criando margem e escala. Chegamos a quase 2 mil cabeças e não paramos mais. Escolher dar mentorias é sobre servir, é contribuir com o outro trazendo aquilo que deu certo para nós. No começo não tínhamos condições, mas prosperamos e pensamos: por que não ensinar o que funcionou?", destacou Dinair.
Giro rápido e tecnologia para aumentar o faturamento
Para quem busca elevar a rentabilidade no campo, Anderson Bogonha enfatizou que o segredo da pecuária moderna está na velocidade de giro do rebanho aliada ao uso de ferramentas tecnológicas.
"A dica é usar as novas tecnologias disponíveis e fazer giro: comprar e vender mais rápido para escalar e aumentar o rebanho. Não dá para ficar três anos com o mesmo animal na fazenda. O ideal é trabalhar em prazos curtos, como seis meses, usando a tecnologia para melhorar a propriedade e aumentar a margem financeira", orientou Anderson.
Olho no ciclo de mercado e estratégia na compra
Analista atenta das oscilações do setor, Dinair alertou os produtores de Januária sobre os riscos de entrar no mercado sem um planejamento prévio, especialmente em momentos de alta nas cotações.
"Existem variáveis no mercado. Quando está em alta, muita gente quer entrar, mas é preciso tomar cuidado porque a pecuária é feita de ciclos: do mesmo jeito que sobe, ela desce. É preciso calcular bem para não comprar um animal caro agora e ter que vender na baixa. O planejamento evita cair nas armadilhas do mercado", explicou.
Ao detalhar onde exatamente se constrói o lucro dentro da cadeia produtiva, a pecuarista foi direta:
"Ganha-se dinheiro começando na compra. Se você compra bem, já tem meio caminho andado. Depois vem uma boa recria, uma engorda eficiente de baixo custo e, por fim, uma venda estratégica analisando o momento certo do mercado", concluiu Dinair.

A apresentação lotou o auditório do Parque de Exposições Astério Itabayana. Ao final, o casal agradeceu a receptividade no Norte de Minas: "Foi um convite muito especial. Fomos extremamente bem recebidos e acolhidos em Januária, ficamos muito honrados e gratos por esse carinho".
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



