Algodão brasileiro tem mais de 95% das fibras dentro de padrões de qualidade
Relatório da Abrapa sobre a safra 2025/2026 aponta que 95,1% dos fardos analisados apresentaram resistência igual ou superior a 28 gf/tex; avaliação já alcançou 54% do volume previsto para a temporada

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) divulgou na última sexta-feira (9) o Relatório Mensal de Qualidade do Algodão Brasileiro, referente a setembro de 2026. O documento reúne os resultados das análises instrumentais da safra 2025/2026, realizadas pelos laboratórios integrantes do Sistema Brasileiro de Referência em Análise de Fibra de Algodão (SBRHVI).
Até o fechamento do mês, 10.199.574 fardos haviam sido analisados por equipamentos de alto volume (HVI), o equivalente a 54% dos aproximadamente 19 milhões de fardos previstos para a safra. A estimativa de produção é de 4 milhões de toneladas de pluma.
Segundo os dados consolidados até 25 de setembro, a colheita atingiu 99%, enquanto o beneficiamento alcançava 49%. Do total de fardos analisados, 59% são certificados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio do Programa da Qualidade do Algodão Brasileiro (PQAB).
Indicadores de qualidade
Os resultados mostram o desempenho da fibra brasileira em características fundamentais para a indústria têxtil. Entre os fardos analisados, 95,1% apresentaram resistência igual ou superior a 28 gf/tex, enquanto 94,8% registraram comprimento de fibra igual ou superior a 1,11 polegada.
O índice de micronaire, que avalia características relacionadas à finura e à maturidade da fibra, apresentou 95,1% das amostras na faixa de 3,50 a 4,90. Já o indicador de uniformidade apontou que 91,8% das amostras alcançaram índices iguais ou superiores a 80%.
O relatório também evidenciou que 75,9% das amostras apresentaram índice de fibras curtas de até 10%, enquanto 70,6% atingiram reflectância igual ou superior a 75%. No indicador de amarelamento, 95,7% das amostras ficaram dentro do parâmetro de até 9.
Confiabilidade e transparência
A edição de setembro também traz uma análise de Axel Drieling, do ICA Bremen, sobre a evolução do sistema brasileiro de classificação instrumental. O especialista destaca os avanços na qualidade do algodão, especialmente em comprimento e resistência da fibra, além da confiabilidade e da evolução da repetibilidade dos resultados obtidos pelos laboratórios brasileiros.
O SBRHVI reúne 14 laboratórios, distribuídos em cinco estados, com 96 equipamentos HVI, além do Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA), em Brasília (DF). A estrutura permite analisar 100% da produção nacional, contribuindo para a padronização das informações e a transparência na comercialização da fibra.
Os dados de qualidade também podem ser acompanhados pela plataforma de Business Intelligence (BI) da Abrapa, que disponibiliza consultas personalizadas e atualizações diárias para os diferentes elos da cadeia produtiva.
*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.



