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Algodão vai além dos tecidos e movimenta cadeia produtiva em Mato Grosso

Caroço, fibras curtas e resíduos do beneficiamento são aproveitados na produção de óleo, ração animal, biocombustíveis e materiais industriais; desde 2007/08, a produção mato-grossense cresceu 267,3%

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Plantação de algodão com plantas de folhas verdes e capulhos brancos prontos para a colheita.
Diversificação dos usos do algodão amplia as possibilidades de aproveitamento da cultura e fortalece diferentes segmentos da indústria. • Divulgação / Sistema Famato

A primeira imagem, quando se fala de algodão, costuma ser a de roupas e tecidos. Entretanto, a fibra é apenas uma parte de um ecossistema produtivo muito maior. Em Mato Grosso, o caroço, as fibras curtas e até materiais que permanecem depois do beneficiamento encontram diferentes destinos. Há óleo, alimento para animais, biocombustíveis, papel, filtros e até materiais utilizados pela indústria farmacêutica.

Todos esses produtos fizeram o estado quase triplicar a produção de algodão desde a safra 2007/2008, quando o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) iniciou o acompanhamento da cultura. 

Na safra 2007/08, Mato Grosso produziu 1,99 milhão de toneladas de algodão em caroço, em uma área de 530 mil hectares. Já em 2024/25, a produção alcançou o recorde de 7,32 milhões de toneladas, crescimento de 267,3%, enquanto a área chegou ao pico de 1,55 milhão de hectares, uma alta de 192,9%.

Os dados do Imea também mostram que a evolução foi tanto no aumento da área quanto na produtividade. Ao longo dos anos, o rendimento passou de 251,27 arrobas por hectare em 2007/08 para 330,25 arrobas por hectare em 2025/26, avanço de 31,4%.

Segundo a analista de algodão do Imea, Cíntia Teixeira, a cultura passou por uma mudança importante de patamar a partir da safra 2018/19, quando a produção passou a superar de forma consistente 4,5 milhões de toneladas e a área ultrapassou 1 milhão de hectares.

“A partir daquela safra, observamos uma consolidação de um novo patamar produtivo do algodão em Mato Grosso, tanto em área quanto em produção”, explicou.

Diversificação dos produtos

Embora a pluma seja a parte mais conhecida do algodão e esteja diretamente associada à indústria têxtil, praticamente toda a planta pode ser aproveitada. O caroço, por exemplo, dá origem a produtos que seguem para diferentes segmentos da economia.

Do caroço de algodão podem ser produzidos óleo, farelo e torta. Conforme destaca a analista do Imea, o óleo pode ser utilizado na alimentação e também como matéria-prima para biocombustíveis. Já o farelo e a torta têm importância na alimentação de bovinos. Já a casca do caroço também pode ser aproveitada como fonte de fibra para a alimentação animal.

“São fibras extremamente curtas que permanecem aderidas ao caroço mesmo depois do beneficiamento do algodão. Apesar de não terem comprimento suficiente para a indústria têxtil convencional, elas possuem características que permitem seu aproveitamento em diferentes produtos”, afirmou.

Já o línter, um subproduto composto pelas fibras bem curtas que ficam grudadas no caroço, pode ser utilizado na fabricação de papel-moeda, filtros, materiais de celulose, produtos farmacêuticos e outros itens industriais. Outras fibras curtas, que também não apresentam qualidade para a fabricação de tecidos, podem ser destinadas à produção de sacaria, feltros, mantas, tapetes e materiais de isolamento.

Para Cíntia, esse aproveitamento ajuda a dimensionar a amplitude da linha de processamento. “Quando a gente fala em algodão, não estamos falando só da pluma que vira tecido. Existe toda uma cadeia de aproveitamento do caroço, das fibras curtas e dos resíduos, que gera óleo, alimentos para animais, biocombustíveis e diversos produtos industriais. É uma cadeia muito mais ampla do que muita gente imagina”, explicou a analista.

Expectativas para futuro

Depois do recorde de produção registrado em 2024/25, os números mais recentes apontam para uma “acomodação”. A produção foi consolidada em 6,81 milhões de toneladas na safra 2025/26 e está estimada em 6,65 milhões de toneladas para a 2026/27.

O Imea destaca que essa redução ocorre em um momento em que a área e a produtividade passam por movimentos diferentes, mas os volumes permanecem entre os maiores já registrados pelo instituto.09

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

 

 

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