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Safra de café deve alcançar 29,2 milhões de sacas este ano, um aumento de 0,6% em relação a 2023

Caso a projeção se confirme, Minas manterá a posição de maior produtor de café do país, respondendo por cerca de 50% da produção

A safra mineira de café deve alcançar 29,2 milhões de sacas neste ano, um aumento de 0,6% em relação a 2023. De acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seapa), a busca por plantas mais resistentes às pragas e doenças e a mecanização da atividade contribuíram para aumentar a área produtiva em 3,2%.

Caso as projeções desse primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra de café se concretizem, Minas Gerais manterá a posição de maior produtor de café no Brasil, respondendo por cerca de 50% da safra nacional.

Em 2023, a safra no estado registrou um crescimento expressivo de 24% na produtividade, chegando a 26,8 sacas por hectare. Já a área em produção cresceu 6,3%, registrando 1,1 milhão de hectares. Isso contribuiu para que o volume produzido alcançasse 29 milhões de sacas beneficiadas, representando um acréscimo de 32% comparado à safra passada.

Família produz café há quatro gerações

A cafeicultora Fernanda Sá de Andrade Ribeiro, de Caratinga, na região do Vale do Rio Doce, é uma das que contribuem para a alta produção de café de qualidade no Estado. Ela é a quarta geração produtora de café da família.

A bisavó de Fernanda, Maria Claudina de Sá, carinhosamente conhecida como Maricota é quem dá nome à marca familiar. Seus pais foram pioneiros na região, com uma pequena propriedade que, ao longo do tempo, evoluiu para uma renomada fazenda cafeeira.

Fernanda, que também é contadora, assumiu os negócios da família há cerca de três anos. Nessa época, uma palestra do presidente da Associação dos Produtores de Cafés Especiais das Terras Altas do Caratinga, Mauro Grossi, foi um divisor de águas na sua forma de encarar o negócio. “Eu não sabia nada sobre cafés especiais e estava assumindo a propriedade da minha mãe. Fiquei encantada pelo amor que ele mostrava por cada etapa de produção”, relata.

Jornada de aprendizado e implementação de práticas sustentáveis

Após essa reunião, Fernanda buscou o auxílio do extensionista da Emater-MG na região, Geraldo Regis, com quem iniciou uma jornada de aprendizado e implementação de práticas sustentáveis e de qualidade na fazenda. Dois anos de preparo foram necessários para obter a certificação da propriedade, concedida pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) por meio do Programa Certifica Minas Café, o que trouxe reconhecimento e uma nova visão de mercado.

“A certificação veio como ferramenta de organização de gestão. O primeiro avanço foi compreender o que era uma fruta café. O segundo, entender o valor que tem a minha fruta e me posicionar perante o mercado. E o terceiro, que é de suma importância, a valorização do meio ambiente, aprender a conviver equilibradamente para a produção de bons frutos”, explica Fernanda.

A busca por conhecimento levou a cafeicultora a participar de cursos, feiras e congressos, onde fez conexões importantes que ajudaram a divulgar e comercializar seu produto. A marca Café Maricota ganhou relevância, foi exportada para a Europa e negociada com outras cooperativas que impulsionaram a produção.

“O certificado foi uma coroação. A mudança começou a partir do momento em que eu comecei a me preparar para a certificação, que veio para me organizar, nortear, dar sentido ao trabalho”, avalia a cafeicultora.

Café da região tem se destacado pela doçura e acidez equilibrada

A região das Matas de Minas, onde está inserida a fazenda, tem se destacado pela produção de cafés especiais, com características únicas. O café da região, conhecido como Terras Altas do Caratinga, tem se destacado pela doçura e acidez equilibrada, conquistando paladares exigentes ao redor do mundo. Atualmente, a região produz cafés com aroma e sabor chocolate, nuts, caramelo, frutas, floral, rapadura, mel, melaço, entre outros.

Primeiro selo governamental para propriedades cafeeiras

O Certifica Minas Café foi o primeiro selo de certificação de propriedades cafeeiras no Brasil emitido por uma instituição governamental, em 2006, quando ainda se chamava Agriminas Café. Coordenado pela Seapa e executado pela Emater-MG e pelo IMA, tem o objetivo de assegurar a produção dentro de critérios internacionais de sustentabilidade socioeconômica e ambiental. Atualmente, cerca de 940 propriedades são certificadas por meio do programa.

Como parte da política pública, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) promove capacitações sobre adequação das lavouras cafeeiras e adaptou campos experimentais às normas do programa, para que sirvam de modelo aos produtores rurais.

“Com o Certifica Minas, o produtor rural desfruta de diversas vantagens, desde o aumento do valor agregado até a assistência para toda a sua produção, de maneira ambientalmente correta. Isso cria oportunidades, especialmente no mercado externo”, explica o subsecretário de Política e Economia Agropecuária da Seapa, Caio César Coimbra

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(*) Com informações da Seapa


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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



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