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Livro que venceu prêmio Jabuti em 2021 é criticado por diretora de escola no Rio Grande do Sul: 'baixo nível'

Livro 'O avesso da pele', de Jefferson Tenório, faz parte de programa do MEC

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Diretora critica livro “O Avesso da Pele“ e alega “vocabulários de tão baixo nível“ | CNN Brasil
Diretora critica livro “O Avesso da Pele“ e alega “vocabulários de tão baixo nível“ | CNN Brasil • Créditos: CNN Brasil

O livro 'O Avesso da Pele', escrito por Jeferson Tenório, venceu o Prêmio Jabuti em 2021, um dos mais importantes da língua portuguesa. E, nos últimos dias, está no centro de uma polêmica depois que a diretora de uma escola de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, publicou um vídeo em uma rede social criticando os “vocabulários de tão baixo nível” que ela considera presentes na obra.

A diretora critica, também, o Ministério da Educação e pede remoção dos exemplares das escolas.

“Lamentável o governo federal, através do MEC [Ministério da Educação] adquirir esta obra literária e enviar para as escolas com vocabulários de tão baixo nível para serem trabalhados com estudantes do ensino médio. Solicito ao Ministério da Educação buscar os 200 exemplares enviados para a escola. Prezamos pela educação dos nossos estudantes e não pela vulgaridade”, disse.

“As distorções e fake news são estratégias de uma extrema direita que promove a desinformação. O mais curioso é que as palavras de ‘baixo calão’ e os atos sexuais do livro causam mais incômodo do que o racismo, a violência policial e a morte de pessoas negras”, afirma Jeferson.

Em nota, porém, a Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul disse que não orientou para que o livro fosse retirado de bibliotecas da rede estadual de ensino.

“O uso de qualquer livro do PNLD [Programa Nacional de Livros Didáticos] deve ocorrer dentro de um contexto pedagógico, sob orientação e supervisão da equipe pedagógica e dos professores”, diz a secretaria, que ainda aponta que “a 6ª Coordenadoria Regional de Educação vai seguir a orientação da secretaria e providenciar que as escolas da região usem adequadamente os livros literários”.

Em nota, o Ministério da Educação afirma que a “aquisição das obras se dá por meio de um chamamento público, de forma isonômica e transparente” e que as obras são avaliadas por profissionais inscritos no banco de avaliadores.

O MEC ainda destaca que “os livros aprovados passam a compor um catálogo no qual as escolas podem escolher, de forma democrática, os materiais que mais se adequam à sua realidade pedagógica, tendo como diretriz o respeito ao pluralismo de concepções pedagógicas”.

A pasta reforça a relevância do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) e a adesão de mais de 95% das redes de ensino do Brasil.

A Companhia das Letras, editora que publicou o livro, disse repudiar qualquer ato de censura. A empresa argumenta que, “para chegar ao colégio em questão, ainda precisou passar por aprovação da própria diretora, que assinou o documento de ‘ata de escolha’ da obra e agora contesta o conteúdo do livro. Esses dados são transparentes e públicos”.


Essa notícia é fornecida em parceria com a CNN Brasil

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