Moradores questionam execução de obra de drenagem no Surinan, em Coronel Fabriciano
Secretário de Obras estava no local e foi ouvido pela reportagem sobre os trabalhos no bairro

Moradores da avenida Roldão Alves Tôrres, no bairro Surinan, em Coronel Fabriciano, acionaram a reportagem da Itatiaia na manhã desta quinta-feira (9) para relatar insatisfação com a execução de uma obra de drenagem na localidade. A intervenção é realizada pela empresa Andrade Engenharia, contratada pela prefeitura, com o objetivo de minimizar um problema antigo de acúmulo de água na via, especialmente em períodos chuvosos.
Apesar da expectativa de solução, moradores apontam possíveis falhas na execução. Um dos questionamentos é sobre a instalação de uma manilha direcionada ao ribeirão Caladão. Segundo Antônio Benevides, o equipamento estaria parcialmente obstruído por um muro de arrimo, o que comprometeria a capacidade de escoamento.
“A manilha que foi colocada aqui, no momento, não está de acordo com a descida da água do ribeirão Caladão. Quando você olha do lado da praça para cá, você nota que você só vê a metade da boca da manilha, isso quer dizer que ela está perdendo 50% da capacidade de água e já foi comentado isso com os trabalhadores da região”, afirmou.
Outros moradores também relataram preocupações quanto à estrutura da obra. João Batista citou a construção de uma caixa que, segundo ele, pode não suportar o tráfego de veículos pesados, além de questionar a ausência de informações básicas sobre a intervenção.
“A gente está vendo várias irregularidades que estão acontecendo aqui. Fizeram uma caixa ali e nós somos leigos, nós cobramos, pedimos a prefeitura, ligamos para a fiscal da prefeitura, porque pelo que a gente imagina teria que ser de concreto armado. No topo da ponte passa caminhão, carreta, carga pesada, e a tendência é fechar e estourar essa caixa, o que vai trazer problema depois. Não tem uma placa com o valor dessa obra, não tem nada. Nós estamos cobrando um negócio que seja feito, mas com um projeto, um acompanhamento melhor, com uma fiscalização, porque não tem fiscalização nenhuma. A empreiteira está aqui, entrou para fazer o serviço e está executando, não tem acompanhamento, não tem ninguém”, indagou.
Comerciantes da região também manifestaram apreensão. Abidon Duarte reconheceu a necessidade da intervenção, mas destacou dúvidas sobre a qualidade do serviço e a ausência de acompanhamento técnico visível.
“Essa obra a gente já vinha reivindicando há muitos anos e a gente está vendo que começaram essa obra aqui, mas a gente não tá vendo estrutura nenhuma, não tá havendo acompanhamento nenhum de engenharia, não tem nenhum fiscal de obra. Começou muito irregular e a gente, como leigo, está vendo coisas fora do normal. Os moradores da nossa rua estão reunidos, tentando fazer uma reivindicação aqui que que venha uma autoridade para vir verificar essa obra, porque infelizmente a gente está vendo um serviço mal feito aqui”, relatou.
Julimar Soares Costa também externou preocupação quanto à durabilidade da obra e à eficiência da drenagem.
“No futuro, não vai aguentar caminhão, não, porque as manilhas estão ficando muito rasas sobre a terra. Tem que afundar mais, porque depois que tiver pronta, o caminhão vai estacionar, vai ceder. Tem que ter alguém da prefeitura aqui para conversar com a gente, algum engenheiro explicar para gente, nós estamos sem saber o que tá acontecendo. Outro problema também é a vazão da água, que tem que descer para o córrego e aparentemente não está acontecendo isso”, afirmou.
O que diz a prefeitura
Diante das reclamações, o secretário municipal de Obras, Geraldo Magela, esteve no local e afirmou que a obra segue critérios técnicos previamente definidos. Segundo ele, não é possível aprofundar as manilhas devido ao nível do ribeirão, que está próximo ao da via.
“Aqui a obra está sendo acompanhada com toda a nossa equipe técnica. Foi feito um estudo antes de começar essa rede. A queda aqui é mínima por conta do leito do ribeirão Caladão que já está praticamente zerado. Isso aqui é um problema antigo, só que a população não teve acesso ao levantamento topográfico que foi feito aqui, em muitos que estão reclamando não são técnicos. Então nós estamos dispostos tecnicamente apresentar projeto, apresentar a cota que foi levantada aqui. E a questão deles reclamar e questionar a qualidade, eles estão nos ajudando. Nós não achamos ruim, estamos aqui para fiscalizar e pedir um apoio deles para fiscalizar. A empresa contratada, ela tem responsabilidade contratual da obra que está sendo executada. Aquilo que tiver fora das normas técnicas, ela tem que refazer. E a obra começou agora junto com apoio da Copasa, que está tendo muita intervenção na rede de esgoto da Copasa. A Copasa está tendo que deslocar a rede de esgoto dela para nós ter como passar com a rede de drenagem. E aqui já teve um planejamento mais tempo para pavimentar essa rua, mas não podemos pavimentar por conta da drenagem”, explicou.
Segundo o secretário, a previsão é de quatro meses para a conclusão dos trabalhos e a expectativa é reduzir significativamente os alagamentos na região.
“No estudo que fizemos, vamos fazer essa drenagem e vai resolver 80% do problema aqui. O problema maior é o Ribeirão Caladão. As casas foram construídas abaixo do nível do ribeirão e tentamos amenizar esse problema que é antigo aqui. O maior fator de problema dela é que todas as ruas para cima aqui, a água vem superficial. Então qualquer chuvinha, essa parte baixa aqui é alaga, e indiferente do ribeirão Caladão encher, isso aqui é alaga. Então nós vamos resolver esse pequeno problema que é constante aqui e futuramente nós estamos trabalhando para poder rebaixar o leito do ribeirão Caladão”, afirmou.
Por fim, ele reforçou que a avaliação completa só poderá ser feita após a conclusão da obra.
“A visão deles hoje não é a visão da obra terminada, porque está assentando as manilhas, ainda vai checar as caídas, vai ter que rejuntar algum ponto ainda que não está rejuntado. Agora está dando o primeiro passo. Vai ter que mudar a rede de esgoto, vai ter que fazer tudo. Depois da obra finalizada, a gente vem aqui conferir. O que tiver fora da norma, tem que ser refeito”, concluiu.


