Acusado de atropelar jovem ciclista em Ipatinga e não prestar socorro é preso pela polícia
Julgamento do motorista foi adiado por motivo de viagem de testemunha, o que não aconteceu na data

A Polícia Civil realizou na manhã desta sexta-feira (27) a prisão preventiva de Marcus Vinícius Matias Gonçalves, de 28 anos, acusado de atropelar e matar o jovem de 19 anos, Vinícius Carlos Vieira, em dezembro de 2022. O acidente foi no trecho conhecido como Morro da Usipa, em Ipatinga.
O pedido de prisão preventiva foi expedido após o Ministério Público recolher provas que indicam que o acusado tentou enganar a Justiça para adiar o Júri Popular, que seria realizado na última quarta-feira (25). Segundo o promotor Igor Citelli, a defesa apresentou um pedido de adiamento afirmando que um assistente técnico de perícia seria testemunha de Marcus no julgamento e teria uma viagem para o Uruguai marcada para a data do julgamento, o que impossibilitaria a participação da testemunha. Durante as tratativas iniciais, os advogados chegaram a cogitar deixar o plenário caso o pedido não fosse aceito pelo juiz, o que impediria o prosseguimento do julgamento e poderia acarretar possíveis nulidades no processo. Depois da data, o Ministério Público investigou a movimentação e não achou movimentações de viagem da testemunha.
“A equipe do Dr. Jonas oficiou ao orgão público onde trabalha este assistente técnico (testemunha) e constatou que ele compareceu no serviço no dia 25 de março. Com isso, minha equipe oficiou a Polícia Federal, e indagamos a PF em Ipatinga, se foi registrado nos sistemas se essa testemunha teria saído do país. A Polícia Federal apresentou um documento apresentando várias movimentações migratórias desta testemunha, mas no dia 25 de março não houve, ele não saiu do país”, detalhou em entrevista coletiva na sede da Polícia Civil. Com as duas versões apresentada pelos orgãos públicos, o MPMG enviou o pedido de prisão preventiva à Justiça, que foi acatado pelo juiz Felipe Ceolin, que preside o caso.
Ainda segundo Dr. Igor, um novo crime pode ter sido cometido neste ato, o que será apurado em outro processo. Segundo ele, a testemunha chegou a comprar passagens para o exterior. “Há indícios de um cometimento de um crime pelas partes envolvidas, para que houvesse um embaraçamento do processo, ou seja, a não realização do Juri no dia 25 de março. De posse dessas informações, no sentido de que esse assistente técnico, que seria testemunha na sessão de julgamento, não saiu do Brasil e trabalhou no órgão público onde ele presta o serviço no mesmo dia, chegamos à conclusão de que houve a prática de um crime, possivelmente uma falsidade ideológica, para desviar o curso do processo, ou seja, a não realização do julgamento”, afirmou o promotor.
O acusado detido e levado até a delegacia da Polícia Civil, onde prestou depoimento, e depois, será remanejado ao Centro de Remanejamento Provisório (Ceresp) de Ipatinga.